Filosofia patristica

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 41 (10082 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 11 de maio de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
O CUIDADO DEVIDO AOS MORTOS Por Carlos Martins Nabeto O tratado "De Cura pro Mortuis Gerenda" (O Cuidado Devido aos Mortos) foi escrito por Santo Agostinho em 421, como resposta a uma consulta feita pelo bispo Paulino de Nola, a respeito da vantagem de se sepultar um cristão junto ao túmulo de um santo. Embora a pergunta fosse, de certa forma, simples, Santo Agostinho aborda uma série de fatosimportantes e interessantes a respeito dos mortos, que até hoje são conservados e respeitados pela Igreja. Entre outras coisas, fala da utilidade da oração pelos mortos (antiquíssimo testemunho do Purgatório, ainda que tal palavra não apareça), a possibilidade da aparição dos mortos aos vivos (através do ministério dos anjos ou por permissão direta de Deus), a oração dos santos falecidos a nossofavor, o dia que a Igreja dedica a todos os falecidos (Dia de Finados), etc. É obrigatória a leitura desta obra por todos os cristãos de boa vontade; podemos crer que, se Lutero e Calvino - grandes admiradores de Santo Agostinho - tivessem lido este tratado com o cuidado que merece (se é que tiveram acesso a ele), certamente o protestantismo não teria se afastado tanto da belíssima doutrina daComunhão dos Santos, verdade bíblica conservada desde o princípio pela Igreja de Cristo. Contudo, podemos louvar a Deus pelo fato de algumas igrejas cristãs - principalmente entre os luteranos, anglicanos e reformados - estarem, aos poucos, resgatando essa verdade, como podemos depreeender das recentes declarações conjuntas a respeito de Maria e a Comunhão dos Santos.

O CUIDADO DEVIDO AOS MORTOS -PARTE I Por Santo Agostinho Tradução: Carlos Martins Nabeto CAPÍTULO I Caríssimo Paulino, meu irmão no Episcopado: há muito devo-te uma resposta... Devo-a desde que me enviaste uma carta - através dos familiares da nossa piedosíssima irmã, Flora - onde me perguntavas se o cristão lucra algo para si se for sepultado próximo à sepultura de algum santo. Essa questão fora-te feita pela própria viúvaque acabo de citar, em razão do seu falecido filho, enterrado em alguma parte da sua capela. Para a consolar, disseste que tal voto já havia se concretizado para o seu jovem filho, Cinérgio, em razão do carinho que a mãe nutre para com seu filho, pois fora ele sepultado na Basílica do bem-aventurado Félix, confessor da fé. Tendo os mensageiros trazido a carta de resposta a Flora, aproveitaste parame interrogar por escrito sobre tal prática, pedindo o meu parecer sem esconder o que sentes. Como me dizes, achais que não é coisa vã o sentimento que leva pessoas fiéis e religiosas a tomarem tal cuidados com os seus falecidos. Adiantas, ainda, que não é sem motivo que a Igreja universal mantém o costume de orar pelos mortos. Assim, pode-se concluir que é útil para o homem, após sua morte, teruma sepultura desse gênero, providenciada pela piedade [de seus familiares], onde possa contar a proteção dos santos. Caro Paulino: consideras que, caso a opinião que diz ser útil sepultar os entes queridos junto à sepulturas de santos seja verdadeira, então existe uma controvérsia com relação às palavras do Apóstolo que diz: "Todos nós certamente nos apresentaremos diante do tribunal de Cristo,para recebermos a retribuição de

acordo com aquilo que fizemos durante nossa vida corporal, seja para o bem ou para o mal"1 De fato, a sentença do Apóstolo exorta-nos que é antes da morte que podemos fazer o que seja útil para depois dela e não depois que ela ocorre, quando recolhemos os frutos que praticamos durante a vida. A questão então é resolvida da seguinte maneira: enquanto vivemos nestecorpo mortal, há uma certa forma de viver que permite, após a morte, obter certo alívio através das obras pias feitas em seu sufrágio. Porém, tal ajuda será proporcional ao bem que cada um de nós fizemos durante a vida. Para alguns, tais auxílios são totalmente inúteis, pois a conduta destes durante a vida foi tão má que simplesmente se tornaram indignos de os aproveitarem. Também existem...
tracking img