Filosofia - descartes

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A BUSCA DA VERDADE EM DESCARTES

Aurélio Alves Ferreira[1]

Minha busca, com este texto, é apresentar o caminho percorrido por Descartes, nas quatro primeiras meditações de sua obra: Meditações sobre a Filosofia Primeira, com o objetivo de mostrar a concepção de verdade e o modo como podemos chegar a ela. Nesse caso, é importante lembrar que Descartes se encontra em um contexto de crise, ondeo conhecimento ou as justificativas, ou as explicações acerca do universo, de Deus, do Homem, não mais se sustentavam ou pelo menos não eram mais suficiente para explicar os fenômenos de então e os próprios questionamentos daquele momento.

Para Descartes, o estabelecimento da verdade só será possível depois que se tiver conseguido encontrar um fundamento absolutamente sólido e seguro. Nessecaso, o motivo de toda a solidez desse fundamento está ligado ao fato de que é também este fundamento que sustentará toda verdade futura, que do mesmo modo, precisa ser indubitável, precisa ser uma verdade absoluta.

Em primeiro lugar, para se conseguir um fundamento com tais características, é necessário desenvolver um método que dê condições suficientes, de modo a possibilitar o impedimento detodo e qualquer erro. Assim, para evitar o erro, é necessário realizar um procedimento de investigação acerca de todas as “verdades” existentes até o momento, ou seja, é preciso investigar o conhecimento oriundo da tradição, com o objetivo explícito de perceber se todas as coisas conhecidas até então são totalmente verdadeiras ou se há alguma que é falsa.

Descartes, ao mesmo tempo, percebe queesta tarefa seria impossível de concretização, pois teria que rever tudo que conhecera até então, detalhadamente, até encontrar em cada uma das coisas, aquilo que não condiz com o verdadeiro. Ao perceber a impossibilidade de tal ação, ele percebe também que não seria necessário um empreendimento tão monstruoso, já que o conhecimento, todo ele, para manter-se seguro, precisa de uma base. De umaestrutura firme, sólida, segura que o sustente. Com isso, a tarefa passa a ser a de encontrar o fundamento que sustenta todo o edifício do conhecimento tradicional, para fazer ruir todo ele. “Era preciso, portanto, que, uma vez na vida, fossem postas abaixo todas as coisas, todas as opiniões em que até então confiara.”[2] Imbuído por esta perspectiva – a de colocar a baixo todas as suas opiniões, todoo conhecimento adquirido até então, e consequentemente também, derrubar de uma vez por todas, o fundamento que sustêm o conhecimento tradicional, que no caso se tornou frouxo, insuficiente – Descartes percebe que todo o seu conhecimento estava fundado nos sentidos. Como ele mesmo diz: “tudo o que admiti até agora como o que há de mais verdadeiro, eu o recebi dos sentidos ou pelos sentidos.” [3]Daí a necessidade de se iniciar a investigação acerca da verdade, pelos sentidos.

Para conseguir, ao mesmo tempo, um fundamento seguro e necessariamente diferente daquele da tradição, é preciso desenvolver um método que dê condições suficientes, de modo a que tal método possibilite também um acesso seguro ao verdadeiro. Assim, o primeiro desafio de Descartes é guiar-se por tal método. Uma vezque este método não pode ter as mesmas características do senso comum ou da lida cotidiana com as coisas. Nesse caso, o método utilizado por Descartes, é o método da dúvida hiperbólica, ou seja, é preciso investigar todos os conhecimentos com o objetivo de testar, de por à prova, de examinar todos eles, até o momento em que tais conhecimentos sejam absolutamente claros e distintos. Então, estemétodo precisa distinguir-se do senso comum, pois ele é guiado pela crença, pelos sentidos, pela tradição, pelos costumes e tal forma de conhecer, por conseqüência, acaba guiando-se pelo que é mais fácil e mais cômodo. Além disso, o método da dúvida é guiado por uma decisão de conhecer mais profundamente, mais verdadeiramente uma coisa ou outra. Então o que guia o conhecimento verdadeiro é a decisão...
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