Felicidade paradoxal

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  • Publicado : 26 de novembro de 2012
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“Uma análise a fundo sobre o consumismo com base no livro „A Felicidade Paradoxal‟, de Gilles Lipovetsky”
Fausto M. F. Costa
Quem não deseja ser feliz? Sentir-se completo, satisfeito com a vida e usufruir de tudo o que lhe proporciona prazer? A partir deste questionamento presente em praticamente todos os indivíduos da sociedade contemporânea, Gilles Lipovetsky, filósofo e pesquisador francês,remete-nos a pensar sobre os intermináveis paradoxos de felicidade que pairam sobre a sociedade do hiperconsumo em seu novo livro “A Felicidade Paradoxal”.
O ato hiperconsumista de comprar satisfaz os prazeres dos indivíduos. Mas ao mesmo tempo o indivíduo também é levado a uma insatisfação por parte deste ato. Pode-se dizer que tal ato traz uma satisfação temporária, não plena. Para cessar ainsatisfação, o hiperconsumidor acaba praticando novamente o ato de comprar para se sentir satisfeito.
Uma satisfação plena seria conseguida se o indivíduo fosse capaz de se livrar disso, capaz de diminuir os valores do consumo e aumentar os valores das questões filosóficas. Isso poderia ser conseguido com autoconhecimento, o altruísmo e a simplicidade (o autor grita isso ao final do livro). Asociedade atual está bastante entrelaçada ao prazer. Uma das maneiras mais fácil de conseguir chegar ao prazer é através do ato de consumir.
O autor divide o livro em duas partes: 1) A sociedade do hiperconsumo e 2) Prazeres privados, felicidade ferida. Na primeira parte, ele apresenta, a partir de três marcos específicos, a evolução do capitalismo de consumo e seus desdobramentos na vida moral,afetiva e social dos indivíduos. A fase I (mercado de massa), com início por volta de 1880 e término marcado pelo fim da Segunda Guerra Mundial, é caracterizada pelo autor como a fase da distribuição. A partir do desenvolvimento dos mercados nacionais e a facilidade para escoação da produção das indústrias que evoluíam a cada dia.
A fase I (sociedade de consumo de massa na qual o objetivo do ato deconsumir era o de conseguir status), com início por volta dos anos 1950 que se estendeu até meados de 1980, é marcada principalmente pela lógica da quantidade, da produção em larga escala, o consumo de massa, com o que se chamou de “a sociedade da abundância”. A facilidade de acesso a bens e serviços, a praticidade dos eletrodomésticos e principalmente o “nascimento” do sentimento de competitividadeentre as empresas, culminaram com a invenção do marketing que por sua vez, focou a atenção das corporações para as constantes necessidades e satisfação do cliente.
Após o boom do consumo dos anos 50, a fase I (sociedade de hiperconsumo na qual o ato de consumir era mais uma questão emocional) se caracterizou principalmente pela relação emocional do indivíduo com a mercadoria. Passado a euforiado consumo de massa característico das décadas anteriores, o consumo da terceira fase é norteado acima de tudo pela satisfação do “eu”, a busca pelo bem-estar.
Enquanto a fase I trouxe para o presente o momento de satisfação da compra, o status a partir de automóveis, eletrodomésticos, roupas, etc., na fase I a ostentação deixa de ser o principal motivo que induz ao consumo, dando início à era dobem-estar, onde o acesso ao conforto, satisfação dos prazeres passa a ser a principal motivação para a felicidade.
O autor traz em diversos momentos do livro comparações entre o estilo de vida norteamericano, durante o ápice do consumo de massa e a sociedade francesa, que ainda mantinha um ritmo distante do acelerado mercado de inovações e consumo dos EUA.
O consumo emocional, diferente domarketing tradicional, passa a mostrar para o consumidor a importância da experiência e das memórias afetivas ligadas à marca. A partir de experiências sonoras, odores de lojas e ambientes diferenciados, estimulam os sentidos, envolvendo o consumidor que compra não mais pela qualidade do produto, mas pelo seu conceito e visão de vida. É o imperativo da imagem a partir do imaginário da marca.
Na...
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