Familia contemporanea

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A Construção da Família Contemporânea
27 Jul 2007
Tatiana
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Proponho uma discussão com as contribuições de Philippe Áries; este autor sugere entre outras coisas que a família, tal qual a conhecemos hoje não foi sempre organizada dessa forma. A mudança para o modo de produção industrial (capitalista) e na própria concepção de trabalho trouxe alterações em relação aoespaço público e privado e em relação à organização familiar.

Na virada do séc. XIX para o séc. XX a rua passa a ser vista como espaço público, de trabalho e da indústria; local onde se realizavam negócios e onde se transitava com objetivos comerciais. A casa que antes abrigava o trabalho dos que nela moravam, agora transforma-se em local de convivência privada; um refúgio para a famílianuclear frente às mudanças sociais, políticas e econômicas que estavam acontecendo, como, por exemplo, a diminuição das distâncias hierárquicas, já que a ascensão dava-se não mais através de heranças, mas cada vez mais através de conquistas e o espaço da rua cada vez mais pertencente ao Estado e ao trabalho, o que fez com que a família se voltasse mais e mais para si, se fechando.A família que antes seunia com objetivos políticos passa então a basear seus laços e alianças em sentimentos como amor, paixão e desejo. Há ainda uma grande transformação no valor atribuído às suas crianças, antes vista como pequenos adultos sem grande valor por conta das altas taxas de natalidade e mortalidade. Com o desenvolvimento de uma concepção de infância agora tornam-se o centro da família, que passa a ter comocaracterísticas a troca afetiva entre os parceiros e o amor entre pais e filhos. Nesse sentido, como diria Mizhari “... o cuidado infantil torna-se um dos organizadores do sentimento moderno de família.”(Mizhari, 2004, p.30).

A crise na família começa a ocorrer quando esta se vê sobrecarregada e temerosa de sua capacidade para suprir todas as demandas impostas, pois cabia à família acolher,amar, tranqüilizar, mas também preparar para o trabalho e para a vida e manter a harmonia nuclear, ou seja, cabia à família tarefas muito difíceis de serem desempenhadas. Essa crise passou por diversos estágios, mais em nenhum momento a família deixou de ser importante para a socialização do sujeito e para o seu desenvolvimento. Ainda hoje quando a família atribui a outros – os especialistas, afunção de educação e mesmo socialização primária de seus filhos, é vista na maioria de seus arranjos, como determinante, pois mesmo quando essa socialização é dada por um outro, este foi escolhido – e não um outro possível – pela família.Continuamos em nosso percurso histórico citando Lasch; este autor chama atenção para o fato de que nas sociedades americanas existia (ou ainda existe?) uma divisão, umacisão entre afeto e autoridade, na medida em que os pais querem ser responsáveis apenas pelos bons momentos dos filhos. Corrigir, chamar atenção, ensinar, pôr de castigo, tudo isso ficaria sob responsabilidade das instituições educacionais e do social de uma maneira geral. Ou seja, os pais não querem ter que suportar o fato de ás vezes serem vistos como autoritários, repressores, caretas oucoisas do tipo, o que também faz parte de um desenvolvimento saudável. É sabido por nós que as crianças precisam não apenas de amor e atenção, mas também de limites e esse limite que se estende para a fase da puberdade não é nada mais do que a reafirmação do amor dos pais. Essa relação sem conflitos, sem limites ou regras severas, traz uma sensação de perfeição, de harmonia que em nada corresponde...
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