Etica

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 6 (1389 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 7 de março de 2013
Ler documento completo
Amostra do texto
1.1. Moral, ethos e ideologia na origem da profissão


O Serviço Social vincula-se as demandas sócio- históricas que incidem sobre o enfrentamento das sequelas da “questão social”, por parte do Estado e das classes dominantes, no contexto do capitalismo monopolista.
Dando por suposto que o Serviço Social contribui, de forma especifica para a reproduçãodas relações sociais capitalistas, cabe assinalar as mediações ético-morais desse processo; na origem da profissão, vinculam-se: à função ideológica da moral; ao tratamento moral da questão social”, tendo em vista os interesses de legitimação do Estado burguês e a presença de projetos sociais conservadores, dentre ele o da Igreja Católica; à existência de profissões potencialmente adequadas a taltratamento.
A presença do conservadorismo moral, no contexto de origem do Serviço Social, é evidenciada: na formação profissional, no projeto social da Igreja Católica e na cultura brasileira, através das ideias positivistas.
No cenário das transformações instituídas pelo capitalismo, no Brasil. o Serviço Social recusa a ordem burguesa, tratada como umaformação social capaz de trazer o progresso, mas, simultaneamente, os “desajustes”, isto é, a” desintegração” da família, da comunidade,dos valores tradicionais.
Nesse contexto, institui-se uma idéia de um “circulo vicioso” que, partindo da entrada dos trabalhadores (homens,mulheres e crianças) na fabrica, desencadeia uma serie de “desajustamentos”: a propagação de “doenças”, como o“alcoolismo”; o abandono das funções prioritárias da mulher, no “lar”; a ruptura dos laços comunitários e familiares. O resultado é a “decadência econômica e social”, a “desordem moral” (Pinheiro, 1985:-16).
A origem social das mulheres que ingressam nas primeiras Escolas de Serviço Social vincula-se ao pensamento católico e as classes dominantes; como mulheres e católicas sãoinfluenciadas pelos padrões da moral conservadora.

“O ideal feminino e seu destino natural-alheamento do mundo, perene sofrimento renuncia-configura-se através de virtudes como pureza; bondade; paciência, abnegação... Cabem à mulher papeis assimétricos em relação a homem na família e no casamento. Desde a infância prepara-se menina para obediência e a submissão a seusirmãos e ao pai. a justificativa para a situação assimétrica entre o sexo é vista em termos morais e religiosos” (Azzi, 1987:93-94).

Na formação profissional dos primeiros assistentes sociais, seus valores reforçam a cultura conservadora presente na formação moral da mulher.




1.2. O significado da moralização da “questão social”


A “questãosocial”, datada da segunda metade do século XIX, na Europa ocidental, esta organicamente conectada a emergência do proletariado no cenário político reivindicando direitos sociais. Essas reivindicações são uma expressão especifica de lutas mais gerais, de caráter revolucionário, acumuladas pelos trabalhadores, no âmbito da sociedade moderna.
Portanto, em suas raízes, oconservadorismo é um projeto de oposição histórica, ao Iluminismo, ao liberalismo e as ideias socialistas. Em face das reivindicações dos trabalhadores, esse projeto político adquire um significado preciso: trata-se de garantir a reprodução de um sistema moral que assegure a “ordem”, ou seja, que deve ser combatida.
No contexto da “questão social”, as reivindicações dos trabalhadores por direitosnão se configura como uma luta revolucionária, mas, pelo seu potencial, são tratadas como tal. Assim as greves, as manifestações por melhores salários, por uma legislação de proteção ao trabalho, por melhores condições de vida, são vista pelos conservadores como possibilidade de ruptura com a ordem social dada.
Entendida dessa forma, a “questão social” não se refere apenas à...
tracking img