Estudo do caso

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Os Miseráveis – Victor Hugo – Parte III

Terminei.

Porque Victor Hugo acertou em uma, mas errou em outra.

Na verdade a frase anterior deveria ser: Porque Victor Hugo acertou em algumas, mas errou em outras. Contudo não tenho tempo e espaço, para detalhar os “as” vezes que ele “acertou” e “errou”. Foi pensando nisso que escolhi quatro trechos para representar minha afirmação. Vamos a eles:O primeiro, que me é tão próximo, pois sou do curso de História, validou toda a leitura desse belo livro, já que apresenta uma defesa tão pungente daquilo que é tema de pesquisa dos historiadores no presente; enquanto que o os outros três trechos simbolizam a minha “crítica” aos “Miseráveis”.

Prossigamos, então…

Sobre os historiadores:

“O historiador dos costumes e das idéias não temmissão menos austera que o historiador dos acontecimentos. Este tem, à superfície da civilização, as lutas entre as coroas, o nascimento dos príncipes o casamento dos reis, as batalhas, as assembléias, os grandes homens públicos, as revoluções à luz do dia, tudo que é exterior; o outro historiador tem o interior, o fundo, o povo que trabalha, que sofre e espera, a mulher oprimida, a criança queagoniza, as guerras surdas de homem para homem, as selvagerias obscuras, os preconceitos, as iniquidades consentidas, os contragolpes subterrâneos da lei, as evoluções secretas da alma, a comoção indistinta das multidões, os mortos de fome, os descalços, os nus, os deserdados, os órfãos, os desgraçados e os infames, todas as larvas que erram em meio às trevas (…) Esse historiador dos corações e dasalmas terá menos deveres que os historiadores dos acontecimentos? Por acaso, julgam que Alighieri tem menos coisas a dizer que Maquiavel? O Subsolo da civilização, por ser mais profundo e sombrio, é menos importante que a superfície? Uma montanha pode ser bem conhecida quando se ignoram como são suas cavernas? (…) Ninguém é bom historiador da vida patente, visível, palpável e pública se não forao mesmo tempo, em certa medida, historiador da vida íntima e secreta”. (HUGO, p.883)

Não é por acaso que escolhi esse trecho (não diga!!!). Se imaginarmos que o estudo da História – até a metade do século XX – esteve restrito ao estudo dos grandes acontecimentos e aos heróis do Estado, e que somente há alguns anos – principalmente a partir da década de 80 – a dimensão simbólica da vida humanavem sendo analisada como fonte histórica, e descobrir em Victor Hugo um defensor desse tipo de postura tão “recente” ao estudo histórico já no século XIX, foi, para mim, mais do que um achado, mas um motivo para admirá-lo, notificá-lo e aplaudi-lo, aqui no blog (?…).

A escola pioneira que forneceu o instrumental propício para tratar dessas novas questões e dimensões (diga-se, paradigmahistórico), foi a escola francesa dos Annales; ou melhor, “A Escola dos Annales”. Os analistas trouxeram à tona a história dos marginais, das prostitutas, dos pobres, dos loucos; trouxeram questões sobre a memória e mentalidade; noções de história estrutural e conjuntural; mas, principalmente, deram voz aos silenciados e esquecidos. Essa corrente histórica teve, e tem, como maiores expoentes: Lucien Febvre,Marc Bloch, Fernand Braudel, Jacques Le Goff, Roger Chartier, etc.

Preciso pesquisar mais sobre isso. Mas não tenho dúvida que gênios como os historiadores supracitados se inspiraram – e muito – no literato francês, Victor Hugo. Vou pesquisar, e volto com respostas (espero).

Onde Victor Hugo “errou”:

“Retroceder é tão impossível às ideias como aos rios”. (HUGO, p.869)

Defensorferrenho da Revolução Francesa (1779-1789), Victor Hugo, em muitos trechos da obra pareceu silenciar, propositadamente, diante do Terror que foi propagado durante e após o14 de julho de 1789.

Na extensa obra, Os Miseráveis, mais do que rica nos detalhes narrativos, Victor Hugo enriquece sua estória com reflexões que perpassam a filosofia, sociologia, lingüística, e, claro, a História. No trecho...
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