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René Guénon

A Crise do Mundo Moderno

Tradução de Fernando Guedes Galvão

Este importante título é a porta de entrada à obra magistral de René Guénon.
Fernando Guedes Galvão, amigo e correspondente do autor, o traduziu e fez puplicar em 1948, através da Martins Editora de São Paulo. Trata-se da melhor tradução para língua portuguesa, muito superior à realizada em Portugal, cujos inúmerosaerros, inclusive tipográficos, permanecem até hoje nas sucessivas reimpressões. Nosso Instituto coloca ao alcance dos interessados o texto completo desta excelente tradução, cobrindo
assim uma lacuna editorial que se arrasta por décadas. O link para os capítulos seguintes se encontra no canto inferior direito de cada página.

  (Luiz Pontual)

Atenção:
Como o texto foi obtido por OCR, oleitor irá encontrar  muitas imprecisões, inerentes ao sistema. Estamos procedendo a uma revisão minuciosa e em breve estaremos fazendo as necessárias correções. Apesar disto, preferimos disponibilizar desde já, pela importância do livro e por não haver comprometimento de compreensão. (Irget)

Introdução

                  Quando escrevemos, há alguns anos, "Oriente e Ocidente", pensávamos terfornecido sobre as questões que faziam o objeto deste livro todas as indicações úteis, pelo menos naquele momento. Desde então, os acontecimentos foram-se precipitando com uma velocidade sempre crescente, sem aliás, nos: obrigar a mudar qualquer palavra ao que então dizíamos. Tornam-se, agora, oportunas certas precisões complementares, e somos levados a desenvolver alguns pontos de vista, sobre osquais não julgávamos necessário insistir então. Estas precisões impõem-se tanto mais que vimos, novamente, confirmadas, nestes últimos tempos, e sob uma forma bastante agressiva, algumas das confusões que precisamente tratamos dissipar; abstendo-nos, todavia, cuidadosamente de nos envolver em qualquer polêmica, julgamos conveniente tornar a pôr as coisas em seus devidos lugares, ainda uma vez. Há,nesta ordem, considerações mesmo elementares, que parecem tão estranhas para a grande maioria de nossos contemporâneos que para lhes fazer compreender é mister repisar muitas vezes e apresentá-las sob seus diferentes aspectos, explicando-as melhor à medida que as circunstâncias o permitirem, o que pode dar lugar a dificuldades que nem sempre foi possível então prever.

                    Opróprio título do presente volume, pede algumas explicações que devemos fornecer antes de mais nada, a fim de que se saiba bem como o entendemos, e que a este respeito não haja qualquer equívoco. Que se possa falar de uma crise do mundo moderno, tomando a palavra "crise" em sua acepção mais comum, é uma coisa que muitos não põem mais em dúvida e a este respeito, pelo menos, produziu-se uma mudançabastante sensível; sobre a própria ação dos acontecimentos, certas ilusões começam a dissipar-se, e nós, por nossa parte, de tal nos felicitamos, porque, apesar de tudo, temos ali um sintoma assaz favorável, índice duma possibilidade de retificação da mentalidade contemporânea, alguma coisa que aparece como um fraco clarão no meio do caos atual. Assim é que a crença em um "progresso" indefinido, queainda há pouco era tido por uma espécie de dogma intangível e indiscutível já não é tão geralmente admitida; alguns entrevêem mais ou menos vagamente, mais ou menos confusamente, que a civilização ocidental em vez de continuar sempre a desenvolver-se no mesmo sentido, bem poderia chegar um dia a um ponto de parada, ou mesmo até soçobrar completamente em algum cataclismo. Talvez esses não vejamainda nitidamente onde está o perigo, e os receios quiméricos ou pueris que manifestam por vezes provam suficientemente a persistência de muitos erros em seus espíritos. Mas, enfim, já é alguma coisa que esses suspeitem um perigo, mesmo que sintam mais do que compreendam verdadeiramente onde está esse perigo, e consigam conceber que esta civilização, de que os modernos se acham tão enfatuados, não...
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