Educando para o pensar

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  • Publicado : 25 de julho de 2012
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Introdução:

“Uma criança saudável não é apenas aquela que tem o corpo nutrido e limpo, mas aquela que pode utilizar e desenvolver o seu potencial biológico, emocional e cognitivo”.

A expressão “Educação para o Pensar” é utilizada, por exemplo, pelo professor Matthew Lipman para indicar uma proposta educacional que se volte internacionalmente para o desenvolvimento de umaforma de pensar nas crianças, jovens e adultos que seja uma forma de pensar descuidada, superficial, sem bons argumentos, etc.

O ser humano é um ser pensante e sabe que, quanto melhor puder pensar, melhor poderá orientar sua vida, além de produzir melhores explicações sobre a realidade e sobre si mesmo.

Quando pensamos sobre o pensar e investigamos como pensamos e as possíveismaneiras de pensar melhor, estamos realizando investigação sobre um tema que é próprio da Filosofia.

A difícil e complexa tarefa de filosofar torna-se mais ampla se fizermos essa investigação não só sobre o pensar, mas também sobre os demais temas que são próprios da investigação filosófica, como a realidade em geral, a existência humana, os valores, especialmente os valores morais, o que éviver em sociedade, o fato de existirem relações de poder, a liberdade, a justiça, etc.

A Filosofia, ou melhor, o filosofar pode ser um bom meio de nos ajudar a desenvolver a capacidade de pensar melhor por três razões, segundo Lipman:

· Nos desafia a pensar sobre temas complexos e controversos ;

· Nos faz pensar sobre o pensar de maneira rigorosa, profunda e abrangente e nospermite descobrir várias informações já produzidas pelos filósofos sobre o que é pensar, as características do pensar melhor, os critérios para avaliar nossos pensamentos, sobre como raciocinamos, os possíveis “enganos” de nossos raciocínios, etc.

· Nos indica uma maneira excelente de aprimorar nossos pensamentos e a maneira de pensar que é o “pensar dialógico”, isto é, o pensar querealizamos quando trocamos nossas idéias com os outros com a intenção e a disposição de nos esclarecermos mutuamente e de irmos aprendendo, uns com os outros, melhores maneiras de investigar, de produzir nossos pensamentos a respeito do que quer que seja.

Podemos pensar sobre nossos pensamentos, mas podemos fazê-los de maneira ainda bastante acrítica. Então, consideramos que a “metacognição” épensar sobre o pensar, isto não é equivalente ao pensar crítico necessariamente.

A proposta filosófico-educacional, criada por Lipman e seus colaboradores, prevê que crianças e jovens possam investigar de maneira dialógica a respeito de temas filosóficos, tendo em vista seu valor profundamente educativo e seus temas desafiadores do “bem pensar”, quer pela sua complexibilidade quer pela promoçãoda possibilidade do pensamento reflexivo e crítico sobre o próprio pensar.





Um pouco da história e do conteúdo do programa Filosofia para Crianças

Quem criou e o desenvolveu inicialmente foi Matthew Lipman, professor de filosofia e educador que, talvez, possa ser chamado de filósofo.

No ano de 1960, ele se preocupava em discutir com seus alunos temas importantes daFilosofia e em promover, em seus alunos, o desenvolvimento de um “pensar melhor”.

Ele começou a pensar num programa educativo que proporcionasse às crianças e aos jovens a investigação sobre questões relativas às temática filosóficas e que lhes proporcionasse um processo de investigação que desenvolvesse sua maneira de pensar.

Mas, havia dois problemas: primeiro problema, eleresolveu escrevendo “novelas filosóficas” para crianças e jovens. Segundo problema, ele propôs um método que chamou de comunidade de investigação filosófica, na qual é possível que sejam desenvolvidas integralmente habilidades cognitivas, aquelas que nos permitem pensar bem, se bem desenvolvidas.

Esse “jeito de fazer” é trabalhoso, mas divertido e, principalmente, produtivo. Ele é tanto mais...
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