Economia

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 5 (1113 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 5 de abril de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
Anos 1950: Getúlio Vargas e o Desafio da Indústria Pesada

1 Padrões de acumulação na economia – uma análise departamental


Marx nos mostra as primeiras tentativas de análise econômica com base na interação entre os vários setores produtivos (ou departamentos da economia).


Os setores ou departamentos seriam dois: o departamento I, produtor de bens de capital e de bens intermediários;e o departamento II, produtor de bens de consumo.


O departamento II pode ser ainda subdividido em dois: um departamento produtor de bens de consumo de luxo ou de bens duráveis, e um departamento de bens de consumo simples ou não-duráveis.


Historicamente, o crescimento das economias capitalistas foi impulsionado pelo maior crescimento do departamento I.


É nesse departamento queencontramos a indústria pesada ou de base, incluindo a indústria química, de aço, de cimento etc.


Ele é responsável pela produção dos insumos indispensáveis ao desenvolvimento do setor produtor de bens de consumo.


Quando o departamento I é insuficientemente desenvolvido, a economia encontra dificuldades estruturais para o prosseguimento de uma acumulação capitalista equilibrada.


Aanálise departamental está presente nas mais interessantes tentativas de interpretação dos rumos da economia brasileira.





2 O projeto nacionalista de Vargas


Percebemos resultados bastante interessantes quando o departamento I e parcela do departamento II começam a assumir relevância no conjunto da produção industrial do Brasil.


Isso começou a acontecer na economia brasileira no inícioda década de 1950, com a tentativa de Getúlio Vargas de implantar as bases de uma indústria pesada no país.


A proposta de Vargas restringiu as possibilidades de financiamento externo desses projetos ou a participação de capitais estrangeiros na forma de investimentos diretos.


Era uma acumulação financiada internamente pelas altas taxas de lucro da indústria impulsionada pela política devalorização cambial e pela transferência dos excedentes do setor agroexportador para a indústria.


A criação do BNDE, em 1952, financiado por intermédio de um adicional sobre o IR, foi fundamental para o financiamento de projetos de infra-estrutura de transporte e energia e, posteriormente, de projetos de implantação industrial.


Em 1953, a Instrução 70 da Sumoc condicionava asimportações aos interesses industriais, mediante o leilão de divisas com câmbio diferenciado conforme a essencialidade da importação.


Os leilões foram uma importante fonte de arrecadação para o Estado, além de manter a política cambial de favorecimento das indústrias substitutivas de importação.


A tentativa de implantar o departamento I enfrentou as dificuldades políticas típicas de um projetonacionalista.


Os trabalhadores buscavam participar dos ganhos de produtividade decorrentes do avanço da industrialização.


Os empresários mostrariam seu descontentamento com o aumento dos custos das importações que a desvalorização cambial provocava.


A nova crise que atingiria a agricultura cafeeira também seria creditada ao governo, e seria capitalizada politicamente pela oposição.O desfecho da crise política foi o suicídio de Vargas e a morte de um projeto nacional que não chegou a ser implementado.


A falta de sustentação política da burguesia industrial a Vargas e as limitações da acumulação financeira nacional resultaram em transformações limitadas na estrutura produtiva, impedindo a abertura de caminhos autônomos para o desenvolvimento nacional.


Essastransformações, entretanto, seriam fundamentais para o posterior processo de industrialização, ainda que já não mais nacionalista: o capital privado estrangeiro seria o carro-chefe dessa industrialização.


3 O suicídio de Vargas – Café Filho e Eugênio Gudin – FMI – Fundo Monetário Internacional


Com o suicídio de Vargas, assumiu o governo o vice-presidente Café Filho (1954-1955).


Nesse...
tracking img