Economia

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  • Publicado : 9 de novembro de 2011
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A teoria organizacional busca desenvolver um arcabouço de estudos e análises relacionados às organizações modernas. O surgimento dessa teoria, da administração como ciência, deu-se em meio a um conjunto de mudanças econômicas, sociais e tecnológicas em efervescência na segunda metade do século XVIII. Os novos paradigmas como a divisão do trabalho ressaltado por Adam Smith em 1776, o florescimentodo comércio, o crescimento das cidades, a urbanização, o mercado em expansão e o aparecimento de novas tecnologias como a máquina a vapor, são alguns dos aspectos essenciais que favoreceram o nascimento da Revolução Industrial e, consequentemente, o campo da Teoria Organizacional.
Diversas pesquisas foram realizadas para tentar explicar as razões do surgimento dessa revolução na Europaocidental. Landes (1994) oferece uma visão bastante ampliada dos acontecimentos e mudanças que ocorriam naquele continente a partir do fim da baixa idade média, os quais parecem explicar a sua vantagem na criação da moderna indústria. Os principais pontos ressaltados pelo autor são a revolução científica, a ânsia de dominação das leis da natureza, o materialismo, o espírito de racionalidade, a aberturapara o aprendizado, o estímulo a competição – já que o continente estava dividido em Estados nacionais – e o conteúdo ético do protestantismo, que levou ao pragmatismo e à disciplina e a adoção de novas tecnologias. 

Outros aspectos não muito éticos (perversos?) também colaboraram com o desenvolvimento inicial da revolução industrial no antigo continente. São eles: a exploração de territórioscoloniais, os metais e pedras preciosas retirados das terras “conquistadas” e o comércio de escravos. Essas ações favoreceram de certa forma a acumulação de capital pelos países europeus, o que seria fundamental para a construção das novas estruturas de produção.  

Com as novas tecnologias em ascensão a partir do século XVIII, acelerou-se a fusão das pequenas oficinas domiciliares em grandesfábricas com centenas de operários reunidos. Surge nesse momento a necessidade de racionalização do trabalho, em prol da produtividade e da geração de lucros. Era preciso a partir de então, como destaca Garcia (1981), “uma clara e efetiva política gerencial e técnicas racionalizantes do trabalho, a fim de se obter lucros e, portanto, remuneração do capital investido”.

Evidentemente, o novo paradigmatrouxe inúmeras conseqüências para os novos industriais e a massa humana proveniente principalmente dos campos e pequenas cidades. Novos métodos de direção, como a centralização dos operários em uma ferrenha disciplina, seriam objetos de muitos estudos e críticas de cientistas sociais, psicólogos e historiadores.  

Foucault (1987, p. 132) faz uma observação bastante fiel do novo modelo deorganização presente nas novas estruturas produtivas, em que ele diz:

“Nas fábricas o princípio do quadriculamento individualizante se complica. Importa distribuir os indivíduos num espaço onde se possa isolá-los e localizá-los; mas também articular essa distribuição sobre um aparelho de produção que tem suas exigências próprias. É preciso ligar a distribuição dos corpos, a arrumação espacial doaparelho de produção e as diversas formas de atividade na distribuição dos postos.”

O início da revolução industrial trouxe ainda novas formas de exploração de trabalhadores. Via-se homens, mulheres e crianças trabalhando de quatorze a dezesseis horas em condições sub-humanas. Huberman (1959) destaca o exemplo de uma fábrica na Inglaterra, em que “os fiandeiros trabalhavam 14 horas por dia numatemperatura de 26 a 29°C, sem terem permissão de mandar buscar água para beber”. Estavam ainda sujeitos a penalidades e multas caso assobiassem, deixassem a janela aberta ou tomassem banho no trabalho.  

É nesse contexto que surgem iniciativas mais aprimoradas com o objetivo de tornar a fábrica altamente produtiva através de métodos de controle dos fatores de produção e da administração das...
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