Deus e a filosofia

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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE – UERN.
FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS – FAFIC.
DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA.

YURI ALVES DOS SANTOS.[i]

DEUS: Verdade absoluta ou mera tentativa de explicar o mundo.

Desde muito tempo o homem busca respostas para as muitas questões que se apresentam a ele. Inicialmente, foi-se buscar essas respostas no culto aos mitos, vistoserem essas respostas, de fácil compreensão. A palavra do mito é sagrada, pois se trata de uma relação divina, sendo assim, o mito também é incontestável e inquestionável. O mito é a primeira forma de compreensão do mundo pelo homem. Ele recorre a forças divinas, seres fantásticos, fabulosos e a ação de deuses como forma de explicar o mundo.
O mito teve seu início entre os povosprimitivos, entretanto, povos modernos também criaram e cultuaram seus mitos. Isso demonstra que a consciência mítica perdura em várias épocas diferentes, afetando culturas, como parte indissociável da maneira de compreensão da realidade. Dentro da sua realidade, o mito não é apenas uma lenda, é verdade. Não a verdade que conhecemos, com coerência, lógica e apresentação de provas que garantam suaautenticidade. A verdade mítica é intuitiva, não sendo necessária a apresentação de provas, pois sua veracidade é baseada em suas crenças, ou seja, na fé. A função do mito é a de localizar o homem no mundo em que vive, tornando esse mundo menos assustador. Ou seja: “Uma forma de compreensão da realidade, sua função é, (...) acomodar e tranqüilizar o ser humano em mundo assustador” (ARANHA; MARTINS,p.72).
Como forma de entender a natureza sobrenatural das coisas, criam-se deuses para entender a origem e natureza das coisas. Em diversos períodos da história da humanidade, deuses foram criados para tentar explicar todas as situações nas quais os homens se envolviam. Das mais complexas até as mais rotineiras.
Para tanto, uma forma de aproximação entre homens e deuses eram osrituais. Nestes rituais os homens repetiam situações que já haviam sido vividas pelos deuses. Era como se o tempo voltasse a trás fazendo com que aquela situação divina se repetisse.
Dentro do desenvolvimento histórico da humanidade, não sabemos quando período mítico termina, dando lugar para a religião, pois ambos estão intimamente ligados visto que a religião está carregada de elementosmíticos. É o momento em que surge o conceito sobre deuses. Podemos destacar três fases na formação desse conceito.
Na primeira fase temos a multiplicidade dos deuses momentâneos aos quais se atribuem divindade com base no medo do até então inexplicável. Aliás, o medo é uma das características básicas da relação entre deuses e homens. Eram divindades criadas para explicar apenas sentimentoshabituais dos homens, tais como: tristeza, alegria, inteligência, etc.
Na segunda fase, o homem descobre o sentimento de individualidade dos deuses. Coincidentemente a divisão do trabalho é fator importante nesse processo, pois a partir daí, cada atividade ganha seu deus.
A terceira parte é marcada pelo surgimento do deus pessoal, que nada mais é do que a humanização dos deuses,onde eles sofrem e agem como os mortais. As religiões monoteístas surgem nessa fase dando ênfase aos problemas de ordem moral do indivíduo, trabalhando temas como o bem e o mal. Como já dizia o Kant: “Limitar o saber para abrir caminho para a fé”.
É nesse período que surge a figura do Deus que conhecemos hoje. A concepção de deus criada pela igreja católica é antropomórfica, assim como eramtambém os deuses do Olimpo. Ou seja, Tanto Deus, o “Cristo”, quanto Zeus, eram imaginados com as formas de homens. Contrariando Xenófanes que em sua teoria: “Combate acirradamente a concepção antropomórfica dos deuses e defende um Deus único, distinto do homem, não-gerado, eterno, imóvel, puro pensamento” (BORNHEIM, 1997, P. 30).
Foi Xenófanes que criou uma concepção para explicar a...
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