Caso concreto

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Como inspiração, havia uma afirmação de Lévi-Strauss, no livro Totemismo Hoje, sobre o
significado das espécies naturais para os povos chamados primitivos: diferentemente da
idéia geral, de que são boas para comer, as espécies naturais, de acordo com a frase do
conhecido antropólogo, são “boas para pensar”. Significa que, além de servir de alimento,
de fornecer a energia necessária á vida dodia-a-dia, plantas, pássaros, peixes e animais
também fornecem elementos para a construção de códigos e quadros de pensamento. O
lazer, da mesma forma, além de ser bom para repor as forças depois de um período
estafantes de trabalho – um dia, uma semana, um ano – na visão do senso comum, é
bom também para pensar os valores e as dinâmicas da sociedade (MAGNANI, 2000)
INTRODUÇÃO
No Brasil, aprodução científica sobre o lazer emerge a partir da década de 1970
com o desenvolvimento de pesquisas e projetos específicos, muito embora, trabalhos
anteriores, tenham importância significativa para a sistematização e compreensão do
conhecimento na área. Em termos gerais, a literatura científica nacional foi influenciada
por questões internacionais e, principalmente, pela presença de J.Dumazedier em
seminários internos promovidos pelo Serviço Social do Comércio (SESC) em São Paulo e
em diversas localidades por outras instituições. Esse sociólogo francês veio várias vezes
ao País no período de 1961 a 1963, a convite da Universidade de Brasília (UnB), do
Movimento de Cultura Popular da cidade de Recife e das autoridades eclesiásticas de
Pernambuco.
Seguindo essa estruturahistórica, o presente artigo procura reconstituir a trajetória
do lazer na literatura nacional, com o propósito de contribuir para uma nova abordagem
compreensiva do fenômeno em questão. Têm-se, portanto, o registro das influências
1 End. Rod. Amaral Peixoto, km 95, número 350, casa 61 – Iguaba Grande – Rio de Janeiro (RJ) / Telefones:
(21) 8273-5524 ou (22) 2624-1634 / E-mails: cristina@usp.br /cristinamgomes@unirio.br
internacionais na produção local, o panorama geral dos embates entre as correntes
“favoráveis” e “contrárias” aos estudos do lazer, a relação e participação do SESC em
diversas atividades, dentre outros fatos. Além dos escassos registros sobre a história da
produção científica em lazer no Brasil, a organização geral do texto valeu-se de alguns
depoimentos informais depesquisadores sobre a temática
O conteúdo do texto é dividido em: estudos precursores e bases científicas do
lazer, culminando, pois, com as considerações finais sobre o tema.
ESTUDOS PRECURSORES
A bibliografia brasileira sobre lazer até a década de 1960 era escassa, com
exceção, de trabalhos como os de Inezil Marinho (desenvolvia no Rio de Janeiro um curso
de Fundamentos e Técnicas deRecreação em 1955 e publicou Educação física,
recreação e jogos, em 1957), Arnaldo Sussekind (distribuiu um questionário sobre lazer
entre o operariado e dirigiu o Serviço de Recreação Operária do Ministério do Trabalho) e
Ethel Bauzer Medeiros (elaborou o projeto de recreação no aterro do Flamengo no Rio de
Janeiro). A pouca produção literária pode ser compreendida considerando-se as
característicasdos centros urbanos da época no Brasil:
Em nossas cidades, mesmo naquelas que já adquiriram características de grandes centros
urbanos, quer pelo volume populacional, quer pelo desenvolvimento de sua estrutura
econômico-social, o problema de bem ocupar as horas de lazer ainda não ganhou a
consciência dos estudiosos, nem a dos governantes. [...] Essa indiferença dos educadores,
sociólogos,psicólogos, urbanistas, etc, pelo destino que os brasileiros dão ao seu tempo
livre, deve-se em boa parte – acreditamos – à inexistência de grandes metrópoles e à
ausência de várias características das sociedades de massas, próprias dos países
altamente industrializados, onde as conotações culturais, econômicas e sociais do tempo
de lazer são naturalmente ostensivas e gritantes. [...] Por...
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