Desenvolvimento moral

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Desenvolvimento Moral

O desenvolvimento dos aspectos cognitivos, afetivos e morais será discutido a partir de três premissas: (1) eles são indissociáveis, apesar de não poderem ser reduzidos uns aos outros. Assim, podemos estudar, pesquisar e intervir em um desses aspectos isoladamente, mas eles são interdependentes; (2) há um paralelismo no desenvolvimento dos três aspectos, ou seja, comosão interdependentes, o desenvolvimento de um aspecto favorece ou depende do desenvolvimento do outro; (3) a cognição é o aspecto que estrutura os outros dois.
O percurso de resposta será baseado no que foi adotado por De La Taille (2006), ou seja, definir moral e discutir sua relação com os aspectos cognitivos e afetivos. O autor faz um alerta para duas posições bem diferentes em relação àarticulação entre afetividade e moral: uma delas entende a afetividade estruturando a moral (como em Freud e Durkheim) e a outra assume a posição de que a inteligência estrutura tanto a afetividade, quanto a moral (como em Piaget e Kohlberg). Ele defende esse último paradigma.
Comecemos, então, pela discussão do desenvolvimento moral. A psicologia moral, de acordo com De La Taille (2006), é a ciênciapreocupada em desvendar por quais processos mentais uma pessoa chega a intimamente legitimar, ou não, regras, princípios e valores morais. O estudo da moral, baseado na teoria de Piaget parte de um texto original de Piaget (1994), sobre a construção do juízo moral na criança, a partir do que chamou de anomia, heteronomia e autonomia. Anomia diz respeito a um estágio inicial caracterizado peloindividualismo e egocentrismo. O respeito às regras nem é uma questão, nesse estágio. No estágio seguinte, da heteronomia, as regras são respeitadas, mas são externas ao sujeito. Ele as respeita sem questionar, muitas vezes apenas por receio da punição. Não há questionamento ou reflexão. Na autonomia, estágio mais avançado, a regra surge do próprio sujeito e é ele quem decide quais regras aplicar emanter, conforme seu senso de justiça.
As teorias que entendem que a afetividade estrutura o desenvolvimento, segundo De La Taille (2006), impelem o sujeito a, necessariamente, estacionar na fase da heteronomia. Isto porque os sentimentos não são passíveis de controle total, não podemos decidir quais sentimentos experimentar, por exemplo. Assim, ficamos como folha ao vento, sem possibilidade detomar decisões e sermos, de fato, livres. Essa é a palavra que caracteriza a autonomia: liberdade. Agir por inspiração moral e não por obrigatoriamente é exercício de liberdade, e denota evolução também em relação aos sentimentos. Esse é um estágio, entretanto, que não é atingido pela maioria, de acordo com pesquisas recentes.
De acordo com De La Taille (2006), considera-se aqui o estudo damoralidade como tendo um sistema que precisa ser universal, pautado na noção de justiça e não podendo ser relativizado. Um argumento do autor é taxativo em relação a essa questão: como minimizar os efeitos nocivos de um estupro por respeito a uma cultura diferenciada? Há um sistema de valores que precisa ser construído ao longo do desenvolvimento humano.
Segundo o autor, o estudo da moralidade éatualizado por Kohlberg, que descreveu de forma mais sistematizada cada estágio, ampliando as possibilidades de investigação. Os estágios são assim divididos:
Nível pré-convencional
A criança responde a regras culturais e rótulos de bom e ruim em termos de consequências positivas ou negativas.
Estágio 1 - orientação para a punição e a obediência: consequências físicas da ação determinam seucaráter bom ou ruim. Respeito incondicional ao poder (sem questionar).
Estágio 2 - Orientação instrumental-relativista: ação voltada para a satisfação instrumental de necessidades próprias. As crianças se relacionam a partir de relações de troca.
Nível Convencional
Dão valor à manutenção das expectativas da família, grupo ou nação. Surge a lealdade.
Estágio 3 – Concordância interpessoal: bom...
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