Descartes, sonso comum ao bom senso. (introdução)

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  • Publicado : 7 de novembro de 2012
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INTRODUÇÃO
Desde que comecei a estudar filosofia, um assunto que sempre me chamou bastante a atenção e me interessou, a partir dos aprofundamentos nas aulas de introdução à filosofia, é a questão do senso comum e bom senso (ou senso crítico). A partir daí, pude enxergar o quanto esse assunto é uma constante, em se tratando dos vícios que encontramos em relação à busca de um conhecimentofundamentado em experiências, ou ainda na dificuldade que existe com relação a uma aceitação de situações e experiências imediatas que muitas vezes, por falta de instruções, somos interpelados por “saberes adquiridos por tradição”, ou seja, uma manifestação do saber fundamentado no senso comum. Também a dificuldade nas questões políticas, pois não sabemos cobrar nossos direitos. Um fator muitoimportante que vejo hoje é o quanto as pessoas vivem na artificialidade, tanto no sentido religioso como em relação aos problemas atuais, como a questão ambiental, política, financeira, entre outros.
Segundo as autoras Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins, “A filosofia não constitui um saber abstrato, antes, porém, o próprio tecido do seu pensar é a trama dos acontecimentos, é ocotidiano e por isso a filosofia se encontra no seio da história, e isto significa que a filosofia inicia a caminhada a partir dos problemas da existência.” Então podemos perceber que a filosofia é a ponte que se estende para o homem sair do comum para o crítico. Sendo o senso comum o primeiro conhecimento que podemos adquirir, então o que será necessário é transformar o conhecimento comum emcrítico e não abandoná-lo.
O filósofo Descartes na sua obra “o Discurso sobre o Método” diz algo que nos esclarece bem acerca de nossa discussão:

[...] Há já algum tempo eu me apercebi de que, desde os meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto, de modo queme era necessário tentar sinceramente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, e começar tudo novamente desde os fundamentos. [...]

Quando Descartes relata sua dúvida sobre a verdade, “ele mostrava a falsidade das opiniões do senso comum de sua época”. Então podemos questionar o que é senso comum? No dicionário de Filosofia de Nicola Abbagnano,ele descreve que para Aristóteles é a capacidade geral de sentir, à qual atribuiu uma dupla função: constituir a consciência da sensação, ou seja, sentir o sentir, porquanto tal consciência não pode pertencer a um órgão especial e também de perceber as determinações comuns a vários sentidos, como movimento, tamanho, cor e etc. Mas nos autores latinos, tem o significado de costume, maneira comum deviver ou falar e para eles a filosofia visa desenvolver o senso comum.
Chauí dá as seguintes características do senso comum: são “subjetivos, qualitativos, heterogêneos, individualizadores, generalizadores”. (17) A partir da fundamentação do que é o senso comum, podemos compreender qual o caminho a tomar para a reflexão, acerca de como o homem pode chegar ao senso crítico. Cotrim afirma que:[...] A filosofia passou a ter o papel, entre outros, de recuperar a unidade do saber, de questionar a validade dos métodos e critérios adotados pelas ciências. Isto é, passou a desenvolver o trabalho de reflexão sobre os conhecimentos alcançados por todas as ciências, além da procura de respostas à finalidade, ao sentido e ao valor da vida e do mundo. Assim podemos dizer que pertence àfilosofia o estudo geral dos seres, do nosso conhecimento e do valor das coisas. [...]

Podemos ainda contar com a contribuição de Chauí que considera “que a ciência distingue-se do senso comum porque este é uma opinião baseada em hábitos, preconceitos, tradições cristalizadas, enquanto que a primeira baseia-se em pesquisas e investigações metódicas e sistemáticas e resulta em trabalho racional”....
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