Delirio e perda da realidade

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  • Publicado : 1 de outubro de 2012
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Delírio e Perda da Realidade


1-INTRODUÇÃO

Para compreender o que é delírio, faz-se necessário mencionar os conceitos de juízo e de realidade que segundo o dicionário Aurélio (1993), o juízo é um ato de julgar; um conceito uma opinião ao passo que a realidade é aquilo que existe efetivamente, é a qualidade de real. Deixando de lado o senso comum, e buscando uma conceituação maisampla, podemos definir realidade como um constructo, a partir do que se percebe do real. É através da significação das coisas que apreendemos a realidade, e ela é embasada na prática do cotidiano. E a partir dessa vivência da realidade, que os juízos são paralelamente elaborados e atribui a esta significados. Vale ressaltar, que todo o juízo tem o seu lado subjetivo, o lado da individualidadedaquele que ajuíza, e o lado social que está sempre em consonância com os determinantes socioculturais (DALGALORRANDO, 2000). Os juízos são atos da consciência em que se exprimem os vínculos e relações entre os objetos e fenômenos da natureza, apresentam-se sobre forma de verdade ou erro conforme suas afirmações correspondam ou não a realidade. A existência de diversas formas de juízo estácondicionada pelo desenvolvimento histórico do conhecimento humano. Portanto, o único critério da veracidade dos juízos é a sua consonância com a realidade objetiva (BALONE, 2005). Porém, a partir do momento, que surgem na vida do indivíduo, como algo novo e incompreensível, as vivências delirantes primárias, quebram a sua sequência biográfica. Ou seja, há uma radical transformação da consciência designificação, tudo começa a se apresentar de forma muito particular ao indivíduo, diferente da realidade verificada por outras pessoas. Começa-se então, o julgamento falso e errôneo. Essas vivências são o ponto exato de transição entre o adequado ajuizar da realidade e a origem do falso juízo patológico, que delimitaria o campo do delírio. Diz-se, portanto, que neste momento há um corte com a realidade euma possível entrada para a loucura (CÂMARA, 2012).

1.1 A Perda Da Realidade Para Psicanálise

A perda da realidade também foi tema de estudo de Freud, nos dois importantíssimos artigos sobre Neurose e Psicose e a Perda da Realidade na Neurose e na Psicose, ambos de 1924. No primeiro artigo, Neurose e Psicose, Freud (1924), indica como uma das características que diferenciam umaneurose de uma psicose o fato de em uma neurose o eu, em sua dependência da realidade, suprimir um fragmento do id (da vida pulsional), ao passo que, em uma psicose, esse mesmo eu, a serviço do id, se afasta de um fragmento da realidade, ou seja, o neurótico ao se confrontar com a realidade se afasta desta por não poder ou está preparado para obedecer ao que esta realidade lhe impõe dessa forma oneurótico não desconhece a realidade, mas foge dela atribuindo-a um alto grau de reprovação. Essa fuga está associada a experiências vivenciadas pelo sujeito que ao serem recalcadas tornam-se fatores predominantes no desencadeamento de uma neurose. As construções sintomáticas das neuroses obsessivas tem origem na atividade sexual prematura manifestada na infância e em ordem de crenças religiosasque estão em muitos momentos presentes na vida do individuo (FREUD-1976, apud, MARTINS&POLI). Esses fenômenos são extraídos durante a análise de um dos seus pacientes “O homem dos ratos”, quando Freud percebe que a não aceitação dos próprios desejos sexuais do paciente e o medo da repressão do outro causava neste uma ferida narcísica provocando na estrutura do eu um desequilíbrio em direção aopróprio desejo e ao desejo do outro. No caso da psicose os fenômenos ocorrem de forma diferenciada. Diferente da neurose os mecanismos da psicose abrange uma retirada da libido pelo ego, a qual sofre um refluxo acentuado em direção ao próprio sujeito. Segundo Freud (1924), a psicose tem origem em uma não realização ou frustração de um dos desejos de infância do individuo, onde a libido retirada do...
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