Defesa no caso dos exploradores de caverna

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  • Publicado : 10 de junho de 2012
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A defesa




Dentro de uma sociedade onde existem regras a serem cumpridas para a boa convivência e conservação da vida, a coerção serve como exemplo para que outros não cometam determinadas condutas que atentam contra o bem estar e, ou mesmo, contra a vida. Pois ao ceder a sua liberdade ao Estado o homem dá a ele os poderes de coerção contra quem invade o seu espaço de liberdade e ofere de algum modo, como também limita este mesmo homem a viver a sua liberdade sem a invasão à liberdade do próximo, caso contrário também estará sujeito às punições do Estado.
Tendo o Estado o poder de punição, de violência contra quem contraria suas regras, aquele pessoas que as respeita resta à proteção estatal contra os violadores - contra os que têm condutas irracionais, que somenteprezam a sua própria liberdade e menosprezam a dos outros.
No entanto, no caso dos exploradores, por mais que estivessem dentro do território estatal, consequentemente sob seu poder, estavam fora do alcance da sociedade; estavam presos não somente em uma caverna, mas dentro de uma situação de medo e necessidade. Seu único contato social era o rádio, mas o Estado ao invés de aproveitar oinstrumento como um meio eficiente de comunicação, fez dele um instrumento de silêncio, pois das perguntas e pedidos feitos poucas foram respondidas e quase nenhum, atendidas.
Em estado de extrema necessidade, no qual se viam às portas da morte, do desconhecido; no momento em que sentiam o cansaço e a dor da falência lenta de seus corpos, como podiam ser racionais? Como podiam pensar que o atoque cometiam seria visto como uma atrocidade diante da sociedade? Será que para eles a atrocidade não seria morrerem todos agonizando?
Quando os membros da expedição de salvamento não lhes responderam sobre o que achavam do fato de um de seus companheiros ser sacrificado para a subsistência dos demais e sobre os métodos empregados para decidir quem iria para o sacrifício, os exploradoresviram-se descobertos pela proteção do Estado; logo, provavelmente, deveriam estar descobertos de suas regras também. Tal fato (de estarem livres das regras e de suas consequências) seria, então, o mínimo de dignidade que o Estado lhes deveria garantir, sendo assim, tudo o que acontecesse naquele estado de necessidade, dentro daquele local fora do Estado, deveria ser de inteira competência daquelapequena sociedade formada por cinco exploradores dentro de uma caverna.
Além disso, deve-se atentar para o fato de pedirem opinião a um padre sobre as ações a que estava a ponto de praticar, mas tal opinião também foi omitida. Sob esse prisma, nota-se que acreditavam em algum Deus. Sendo assim, apenas o fato de terem assassinado alguém, mesmo em estado de necessidade, já lhes serviria comopunição, aliás, como a pior punição de todas, a de viver sem saber se Deus vai perdoar.
No entanto, vê-se claramente que não é o fato dos companheiros de Whetmore o terem assassinado, mas, sim, a questão do canibalismo (do fato de que eles devoraram seu semelhante) que é o ponto crucial para a discussão, pois tal conduta é “inaceitável” moralmente, de modo que devorar o próximo é uma voltaa animalização perdida com a racionalidade que o ser humano adquiriu com o passar do tempo. É compreensível que os leigos se atenham e se choquem com a decisão e a conduta dos exploradores, mas não se pode esquecer que a animalização ocorre porque estavam todos em estado de necessidade. Sua vida dependia de uma alimentação inexistente na caverna na qual estavam presos. Provavelmente pensaram muitoantes de chegarem à conclusão tão temida, mas única.
Deve-se lembrar que nenhum deles estava em estado normal de consciência. Todos se encontravam alterados físico-psicologicamente: com fome, provavelmente ferido; sentiam-se solitários e largados pelo mundo que conheciam; sentiam um terrível medo de morrer naquela situação degradante. Não se pode esquecer que Whetmore era um deles e...
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