Debates sobre o fim do escravismo na américa latina

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 18 (4415 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 16 de dezembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
Questões
1) Considerando as interpretações propostas por Hebe Mattos e Beatriz Mamigonian, discuta o impacto da dinâmica do tráfico e de sua extinção legal, (em 1850) na construção e na desconstrução da lógica escravista brasileira no século XIX.
A escravidão no Brasil tinha um sentido de ser que se pautava em várias teorias e discursos que não nasceram aqui, mas que se desenvolveram eevoluíram ao longo do século XIX ganhando feições próprias e condizentes a realidade brasileira. Um discurso de legitimação, uma explicação, uma utilidade que se relacionava e moldava as relações não apenas econômicas como também sociais no Brasil. Certos elementos de definição do que viria a ser a população brasileira, questões como cidadania e raça se pautavam, partiam de ou ao menos faziam alusão aelementos que remetiam a escravidão. a existência do tráfico de escravos e a forma como ele era feito, bem como sua abolição em 1850 teve consequências na construção e desconstrução dessa lógica. Partindo dos argumentos propostos por Beatriz Mamigonian e Hebe Mattos é possível ter uma visão bem mais ampla a respeito desta conjuntura que cerca o tema “escravidão” no Brasil.
Mamigonian defende emseu texto que a escravidão era o cerne da sociedade e economia nos territórios sob o domínio português. De acordo com seu raciocínio, isso é fruto da lógica de expansão religiosa e econômica, sendo a expansão da cristandade um elemento chave para se entender o discurso escravista em um primeiro momento.
A autora apresenta a necessidade de conversão dos pagãos como discurso justificativo para aescravização e para o tráfico de africanos e se mostra adepta de teoria proposta por Lílian Shwartz que dilata o campo de influência do modo de produção escravista, afirmando que mais do que as relações de trabalho, a escravidão pautava também as relações sociais entre os livres.
Ao longo do texto é possível ver a evolução da lógica escravista e os novos argumentos anexados a ela a partir dastransformações ideológicas e sociais. Ela apresenta ainda a tese de Luiz Felipe de Alencastro segundo a qual a própria manutenção da unidade territorial estaria vinculada à necessidade de defesa do tráfico de escravos frente às pressões da Inglaterra. Com certeza o apoio do Império favoreceu a conservação da instituição escravista. Nesse ponto há uma convergência entre as autoras, pois Hebe Mattosdescreve em seu texto que após a abolição a monarquia teria sido abandonada por suas bases tradicionais. Após o 13 de maio, vários monarquistas teriam se convertido a causa republicana, e ainda segundo esta última, a “escravidão enquanto instituição dependia de um Estado que a considerasse legítima, defendesse legalmente o mercado de escravos” (MATTOS, 2009).
Seria impossível, de acordo comMamigonian, analisar as mudanças ocorridas na escravidão brasileira no século XIX sem levar em conta o papel exercido pelo tráfico de escravos. A proibição pelos ingleses e o comprometimento do império do Brasil em aboli-lo de seu território não anulou essa prática, mas dificultou, além de requerer novas formas de perpetuação da escravidão. Isso em um primeiro estágio. As consequências da proibição nalógica escravista brasileira foram muito além, Hebe Mattos chega a dizer que depois da abolição o mundo não seria o mesmo para escravos e senhores.
O fim do tráfico não levaria automaticamente a emancipação, nem mesmo significava um projeto de emancipação gradual, porém em conjunto com a lei de terras (publicada 14 dias depois) indicava o início de um processo de mudanças que levaria a substituiçãoda mão de obra escrava. Logo após viria a tentativa de implantação de um registro civil, no qual deveria constar a cor do indivíduo, e o recenseamento da população. Já não seria mais a igreja quem iria decidir se o indivíduo era livre. Este era um sinal não apenas de que o Brasil caminhava na direção de se tornar um Estado Nação coerente com o mundo moderno, mas também de que a cristianização...
tracking img