Costa e santos

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QUESTÃO SOCIAL E DESIGUALDADE: novas formas, velhas raízes

Edlene Pimentel Santos[1]


Gilmaísa Macedo da Costa[2]


Resumo: Nesta exposição abordamos os aspectos mais decisivos sobre o momento em que surge a denominada “questão social” como fenômeno do industrialismo nascente no século XIX. Trata-se de uma aproximação com a temática da relação entre questão social,desigualdade social e processo de industrialização, tomando por base as raízes materiais e humanas do fenômeno e suas implicações para a vida dos trabalhadores, buscando uma aproximação com o pensamento de Marx. Inspiramo-nos, ainda, em pensadores contemporâneos para oferecer algumas reflexões sobre traços do mesmo fenômeno na atualidade.


Palavras-chaves: questão social, desigualdade, direitossociais























SOCIAL ISSUES AND INEQUALITIES: new forms, old roots





Abstract: In this text we deal with the main aspects of the appearance of “social issue” as a phenomenon of the 19th Century’s newborn industrialism. It is an approach to the relationship between social issues, social inequalities and
industrialization based on material and humanorigins of this
phenomenon and its implications to the workers´ life and making a parallel with to Marx’s thought. We inspire ourselves in contemporary
philosophers to present some ideas about the characteristics of this same
phenomenon in the present time.


Keywords: social issues, inequalities, social rightsQUESTÃO SOCIAL E DESIGUALDADE: novas formas, velhas raízes


O que mais dói na miséria é a ignorância que ela tem de si mesma. Confrontados com a ausência de tudo, os homens abstêm-se do sonho, desarmando-se do desejo de serem outros. Existe no nada essa ilusão de plenitude que faz parar a vida e anoitecer as vozes (Mia Couto).





Considerações Iniciais


Nodecorrer desta exposição, busca-se revelar aspectos essenciais de um fenômeno que historicamente tem sido denominado questão social, em sua relação com o industrialismo e a desigualdade social. Objetiva-se estabelecer os fundamentos econômico-sociais do seu surgimento e de sua explicitação a partir das leis internas do desenvolvimento capitalista em seu processo de acumulação e expansão,apresentando traços de continuidade e mudanças em suas expressões na atualidade. Este texto é resultado da investigação sobre as raízes materiais e humanas da questão social no capitalismo e os conflitos de classe nele recorrentes e sua interpretação por pensadores diversos.


Por volta da década de 30 do século XIX começa a tomar forma, em larga escala, o pauperismo das massas trabalhadoras.Tratava-se de algo novo na história da Europa, distinto da pobreza até então existente, devido à sua dinâmica e caráter massivo e absoluto. Filantropos e críticos sociais da sociedade nascente ocuparam-se em registrar e propor intervenções nos efeitos deste fenômeno, surgindo daí uma ampla documentação que revelava o quanto a pobreza crescia à medida que a sociedade se tornava capaz de produzir maisbens e serviços. Deste modo, a sua novidade consistia em que o pauperismo não podia ser associado ao baixo desenvolvimento das forças produtivas, nem à escassez da produção material de bens.


Tal fenômeno tornou-se incômodo para os ideólogos da sociedade em ascensão, já que não correspondia aos ideais de igualdade propostos pela revolução burguesa, tornando-se então objeto de preocupaçãopor parte de pensadores das mais variadas tendências. Quando as massas trabalhadoras começaram a reagir às condições de vida geradas pelo pauperismo, organizando-se como classe em torno de interesses comuns, o fenômeno adquiriu conotação política, passando a ser denominado de questão social. Um termo utilizado mais comumente pelo pensamento conservador, que incorporou inúmeras acepções em sua...
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