Correntes pedagogicas

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AS CONCEPÇÕES PEDAGÓGICAS NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA1

Dermeval Saviani
1. Introdução: teorias da educação e concepções pedagógicas
Para atender à proposta do “projeto 20 anos do HISTEDBR”, que me incumbiu de abordar o tema
relativo às concepções pedagógicas na história da educação brasileira, elegi como eixo ordenador de
minha exposição a oposição entre teoria e prática já que,como assinala Schmied-Kowarzik (1983, p. 10),
“a relação entre teoria e prática é a mais fundamental da pedagogia”.
Com efeito, entendida a pedagogia como “teoria da educação”, evidencia-se que se trata de uma
teoria da prática: a teoria da prática educativa. Não podemos perder de vista, porém, que se toda
pedagogia é teoria da educação, nem toda teoria da educação é pedagogia. Na verdade oconceito de
pedagogia se reporta a uma teoria que se estrutura a partir e em função da prática educativa. A pedagogia,
como teoria da educação, busca equacionar, de alguma maneira, o problema da relação educadoreducando, de modo geral, ou, no caso específico da escola, a relação professor-aluno, orientando o
processo de ensino e aprendizagem. Assim, não se constituem como pedagogia aquelas teoriasque
analisam a educação pelo aspecto de sua relação com a sociedade não tendo como objetivo formular
diretrizes que orientem a atividade educativa, como é o caso das teorias que chamei de “críticoreprodutivistas”.
Feita essa observação preliminar, podemos considerar que, do ponto de vista da
pedagogia, as diferentes concepções de educação podem ser agrupadas em duas grandes
tendências: aprimeira seria composta pelas concepções pedagógicas que dariam prioridade à teoria sobre
a prática, subordinando esta àquela sendo que, no limite, dissolveriam a prática na teoria. A segunda
tendência, inversamente, compõe-se das concepções que subordinam a teoria à prática e, no limite,
dissolvem a teoria na prática.
No primeiro grupo estariam as diversas modalidades de pedagogia tradicional,sejam elas situadas
na vertente religiosa ou na leiga. No segundo grupo se situariam as diferentes modalidades da pedagogia
nova. Dizendo de outro modo, poderíamos considerar que, no primeiro caso, a preocupação se centra nas
“teorias do ensino”, enquanto que, no segundo caso, a ênfase é posta nas “teorias da aprendizagem”.
Na primeira tendência o problema fundamental se traduzia pela pergunta“como ensinar”, cuja
resposta consistia na tentativa de se formular métodos de ensino. Já na segunda tendência o problema
fundamental se traduz pela pergunta “como aprender”, o que levou à generalização do lema “aprender a
aprender”.
Em termos históricos, a primeira tendência foi dominante até o final do século XIX. A
característica própria do século XX é exatamente o deslocamento para a segundatendência que veio a se
tornar predominante o que, entretanto, não exclui a concepção tradicional que se contrapõe às novas
correntes, disputando com elas a influência sobre a atividade educativa no interior das escolas.
As concepções tradicionais, desde a pedagogia de Platão e a pedagogia cristã, passando pelas
pedagogias dos humanistas e pela pedagogia da natureza, na qual se inclui Comênio(SUCHODOLSKI,
1978, p. 18-38), assim como a pedagogia idealista de Kant, Fichte e Hegel(Idem, p. 42-46), o humanismo
racionalista, que se difundiu especialmente em conseqüência da Revolução Francesa, a teoria da evolução
e a sistematização de Herbart-Ziller (Idem, p. 54-67), desembocavam sempre numa teoria do ensino.
Pautando-se pela centralidade da instrução (formação intelectual) pensavam aescola como uma agência
centrada no professor, cuja tarefa é transmitir os conhecimentos acumulados pela humanidade segundo
uma gradação lógica, cabendo aos alunos assimilar os conteúdos que lhes são transmitidos. Nesse
contexto a prática era determinada pela teoria que a moldava fornecendo-lhe tanto o conteúdo como a

forma de transmissão pelo professor, com a conseqüente assimilação...
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