Conversa pra quem gosta ensinar

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RUBEM ALVES

CONVERSAS
COM QUEM GOSTA DE

ENSINAR

Cortez Editora
Editora Autores Associados
1980

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Rubem Alves – Conversas com quem gosta de Ensinar

2

Ponha de novo o livro na prateleira se você
está em busca de um discurso sério, científico.
Aí dentro você só encontrará conversas com
pessoas que gostam de ensinar. Praconversar
é necessário gostar. Caso contrário, a coisa
viraria um monólogo: uma fala sem resposta.
Pelos livros de filosofia e ciência que você já
deve ter percebido que, via de regra, o que se
pretende é um discurso sem resposta. As
coisas são ditas de tal forma, com tais
precauções e notas de rodapé, que o leitor é
reduzido ao silêncio. Nada mais distante do
espírito da conversa. O que sepretende, aqui, é
tecer uma a dois, ou a três...
Aquele que começa oferece um tema, dá um
ponto, e passa a agulha ao outro... E assim a
coisa vai sendo feita, como tarefa de muitos. E
isto sem que se esqueça do humor e do riso,
sem os quais aparecem nós cegos que ninguém
consegue desatar.

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Rubem Alves – Conversas com quem gosta de Ensinar3

Àqueles, dentre os alunos, que ficaram amigos

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Rubem Alves – Conversas com quem gosta de Ensinar

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Sumário

Sobre jequitibás e eucaliptos – amar
Sobre o dizer honesto – acordar
Sobre palavras e redes – libertar
Sobre remadores e professores – agir
1.

Nível filosófico

2.

Nível científico______________________________________________

Rubem Alves – Conversas com quem gosta de Ensinar

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Nasci em Boa Esperança, a mesma da “Serra da Boa
Esperança”, do Lamartine Babo. Em 1933. A falência de meu pai me
levou para o Rio, cidade cuja solidão eu freqüentei, o que me fez
religioso e amante da música. Quis ser médico, pianista e teólo go –
admiração por Albert Schweitzer. Passei por um seminárioprotestante, fui pastor no interior de Minas, lá em Lavras. Fiz
mestrado em Nova Iorque (62-63) e a volta ao Brasil, em 64, me
segredou que seria melhor continuar a estudar fora do país.
Doutoramento em Princeton. Escrevi A theology of human hope
(inglês, francês, espanhol, italiano), no ponto mesmo em que a
teologia da libertação estava nascendo. Tomorrow’s child, sobre o
triste destino dosdinossauros e a sobrevivência das lagartixas,
para concluir que os grandes e os fortes perecerão, enquanto os
mansos e fracos herdarão a terra. Um exercício em utopia. O
enigma da religião (português, italiano, espanhol); O que é religião
(Brasiliense); Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras
(Brasiliense); Protestantismo e repressão (Ática); Protestantismo
(Vozes). Gosto muito demúsica, especialmente Bach e Vivaldi. Para
meditar, o canto gregoriano. Leituras de prazer especial: Nietzsche,
Kierkegaard, Camus, Lutero, Agostinho. Pintura, especialmente
Bosch e Bruegel. Criado numa tradição calvinista, luto contra
aquelas obsessões de pontualidade e trabalho, companheiras das
insônias e das úlceras. Minha experiência religiosa hipertrofiou meu
faro por dogmatismos, quedetesto com ódio absoluto. Não importa
que sejam de direita ou de esquerda. Os da esquerda são piores,
porque eles têm obrigação de saber... Vejo a função do filósofo
como aquela do menino da estória de Andersen que gritou, no meio
da festa: “O rei está nu”. Gosto muito, muito, de viver. Encontro
prazer especial em coisas muito simples, como soltar papagaio e
armar quebra-cabeças. Tenho medo demorrer.
Rubem Alves, 1981

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Rubem Alves – Conversas com quem gosta de Ensinar

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Prefácio não vou escrever. Conversas não devem ser
prefaciadas. A gente simplesmente começa e a coisa vai.
Que ninguém se engane. As conversas que se seguem são
conversas mesmo, longe da seriedade acadêmica – um
esforço para ver as coisas através da...
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