Conveersas com quem gosta de ensinar de rubens alves

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ñ foi feito por mim e sim por Rubens Alves

 Nasci em Boa Esperança, a mesma da “Serra da BoaEsperança”, do Lamartine Babo. Em 1933. A falência de meu pai me levou para o Rio, cidade cuja solidão eu freqüentei, o que me fezreligioso e amante da música. Quis ser médico, pianista e teólogo –admiração por Albert Schweitzer. Passei por um seminárioprotestante, fui pastor no interior de Minas, láem Lavras. Fizmestrado em Nova Iorque (62-63) e a volta ao Brasil, em 64, mesegredou que seria melhor continuar a estudar fora do país.Doutoramento em Princeton. Escrevi A theology of human hope(inglês, francês, espanhol, italiano), no ponto mesmo em que ateologia da libertação estava nascendo. Tomorrow’s child, sobre otriste destino dos dinossauros e a sobrevivência das lagartixas,para concluirque os grandes e os fortes perecerão, enquanto osmansos e fracos herdarão a terra. Um exercício em utopia. Oenigma da religião (português, italiano, espanhol); O que é religião(Brasiliense); Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras(Brasiliense); Protestantismo e repressão (Ática); Protestantismo(Vozes). Gosto muito de música, especialmente Bach e Vivaldi. Parameditar, o cantogregoriano. Leituras de prazer especial: Nietzsche,Kierkegaard, Camus, Lutero, Agostinho. Pintura, especialmenteBosch e Bruegel. Criado numa tradição calvinista, luto contraaquelas obsessões de pontualidade e trabalho, companheiras dasinsônias e das úlceras. Minha experiência religiosa hipertrofiou meufaro por dogmatismos, que detesto com ódio absoluto. Não importaque sejam de direita ou de esquerda. Osda esquerda são piores,porque eles têm obrigação de saber... Vejo a função do filósofocomo aquela do menino da estória de Andersen que gritou, no meioda festa: “O rei está nu”. Gosto muito, muito, de viver. Encontroprazer especial em coisas muito simples, como soltar papagaio earmar quebra-cabeças. Tenho medo de morrer. Rubem Alves, 1981 ______________________________________________ 6 Rubem Alves– Conversas com quem gosta de Ensinar
 6. Prefácio não vou escrever. Conversas não devem serprefaciadas. A gente simplesmente começa e a coisa vai.Que ninguém se engane. As conversas que se seguem sãoconversas mesmo, longe da seriedade acadêmica – umesforço para ver as coisas através da honestidade do riso. Mas não resisto à tentação de citar outros quepreferiram o humor. Talvez para mejustificar a mim mesmo. Ascerimônias, mesuras e seriedades da vida acadêmicacontinuam a me assombrar. E preciso de aliados. Invoco o riso daqueles que perceberam o ridículo daseriedade. O riso é o lado de trás e de baixo, escondido,vergonha das máscaras sérias: nádegas desnudas de facessolenes. É só por isto que ele tem uma função filosófica emoral. O riso obriga o corpo à honestidade. Rimos semquerer,contra a vontade. Ele nos possui e faz o corpointeiro sacudir de honestidade, como demônio brincalhão,Exu... E chamo a fala das minhas testemunhas. “Mudei-me da casa dos eruditos e bati a porta ao sair. Por muito tempo, a minha alma assentou-se faminta à sua mesa. Não sou como eles. treinados a buscar o conhecimento como especialistas em rachar fios de cabelo ao meio. Amo a liberdade. Amo o ar sobrea terra fresca. É melhor dormir em meios às vacas, que em meio às suas etiquetas e respeitabilidades.” (Nietzsche) “A filosofia do bufão é a filosofia que, em cada época, denúncia como duvidoso aquilo que parece ser inabalável. Declaramo-nos a favor da filosofia do bufão – aquela atitude de vigilância negativa frente a qualquer absoluto. Declaramo-nos a favor dos valores antiintelectuaisinerentes numa atitude cujos perigos e absurdos conhecemos muito bem. É uma opção por uma visão de mundo que oferece ______________________________________________ 7 Rubem Alves – Conversas com quem gosta de Ensinar
 7. possibilidades para uma reorganização vagarosa e difícil daqueles elementos que, em nossa ação, são os mais difíceis de serem organizados: bondade sem que isto signifique tolerar...
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