Contos de fadas

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I Congresso Nacional de Linguagens e Representações: Linguagens e Leituras III Encontro Nacional da Cátedra UNESCO de Leitura VII Encontro Local do PROLER UESC - ILHÉUS - BA/ 14 A 17 DE OUTUBRO 2009

OS CONTOS DE FADAS: A LEITURA E A CONSTRUÇÃO DO IMAGINÃRIO INFANTIL1 Maria Elizabete Souza Couto2 Universidade Estadual do Santa Cruz/UECS Gleisy Vieira Campos3 Universidade Estadual do Sudeste daBahia/UESB Resumo: Este trabalho tem como objetivo analisar como a leitura dos contos de fadas contribui na construção do imaginário infantil, independente da sua condição e classe social (sexo, cor, religião, posição social, beleza - homem/mulher etc), enfatizando a múltipla funcionalidade desse gênero literário (leitura dos contos enquanto obra literária e didático pedagógico). O trabalho teveum caráter qualitativo e foi realizada em uma creche na cidade de Itabuna. Trabalhamos durante dois meses com crianças de 5 e 6 anos. Inicialmente entrevistamos as crianças para saber quais os contos de fadas que mais gostavam. Realizamos o trabalho com os contos: A Branca de Neve e os Sete Anãos, Cinderela e Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mal. A leitura foi realizada a partir de seguintes passos:leitura, reconto, dramatização montagem de cartaz com imagens, registro fotográfico, colagem etc. A diversidade de possibilidade para trabalhar a leitura dos contos indicou como as crianças vêm construindo o imaginário social em relação a questões referentes a posição social – raça, beleza, papel da mulher e do homem na sociedade. Nesses momentos vivenciamos situações para além da sala de aula. Avida das crianças estava presente e refletida nas ações e discussões, escolhas e conflitos, colocando em jogo não só o mundo a ser interiorizado, mas o seu lugar no mundo, o lugar de seu grupo social e, sobretudo a sua existência, relação com o outro e a identidade como um processo contínuo e dinâmico que será construído no decorrer da vida, permeando as dimensões cognitivas, sociais, afetivas,identitárias, culturais, religiosas etc.. Palavras-chave: leitura, contos de fadas, imaginário infantil
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Este trabalho é parte da Monografia de especialização no curso ‘Educação e Relação Étnico-Racial’ intitulada ‘Entre bruxas, príncipes e princesas: os contos de fadas e a construção de uma identidade étnico-racial’, realizado na Universidade Estadual de Santa Cruz. 2 Professora do Departamentode Ciências da Educação na UESC 3 Especialista em educação Infantil e educação e relação Étnico-Racial. Professora substituta na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/UESB- campus de Itapetinga.

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Introdução Histórias e contos que começam com princesas maltratadas e príncipes solitários terminam com casais felizes e fazem parte do universo das histórias/contos de fadas. De geração emgeração tais leituras, como a Branca de Neve, Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, entre outras, fazem-se presentes em nossa memória e nos fazem recordar os momentos em que viajamos no fantástico e maravilho mundo da imaginação. A leitura dos contos de fadas age como uma ponte entre o imaginário e o real, apresentando o dinamismo das diferentes culturas e representam a estrutura da realidade social.Um espaço de significações, aberto às emoções, ao sonho e à imaginação, funcionando como caminho para que a criança pense a sua condição social, seu pertencimento, fazendo emergir conflitos e valores que, de outra maneira, talvez não fosse possível expressá-los e representá-los. As crianças demonstram interesse por este tipo de leitura porque, de alguma forma, apresenta soluções para seus medos,dúvidas e angústias. Medo de ser abandonado pelos pais, de ficar em lugares escuros, de bichos, de não ser aceita e tantos outros. Em contato com essas leituras a criança projeta seu mundo nos personagens e estes atuam de modo a colaborar na resolução desses sentimentos e conflitos. Como exemplo, é frequente ouvir casos como os que vamos descrever. Primeiro, é o caso de Bia, uma menina de seis...
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