Consumo como cultura material de daniel miller

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  • Publicado : 2 de julho de 2012
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Resenha do texto “Consumo como Cultura Material” de Daniel Miller

O artigo “Consumo como cultura material”, de Daniel Miller, primeiramente, trabalha com as perspectivas históricas e sociológicas do consumo e, segundo, a perspectiva antropológica do ponto de vista regional. O recorte feito a respeito de quatro gêneros: casa, vestuário, mídia e carro, é fruto de abordagens teóricas esubstantivas, até perceber que o consumo nos faz entender a humanidade.
Para pensarmos o consumo quanto cultura material, a autor nos mostra as implicações que estão sujeitas quando analisamos o consumo sob o olhar do material. Nesse sentido, o consumo pode estar em oposição à cultura material, que parte para um preconceito “antimaterial”. Na temática em que aborda a oposição à cultura material, Millersupõe que ele se volta para um consumo de massa, quando visto como o consumo moderno. Em contraposição à perspectiva de ser entendido por um desejo pelo desenvolvimento e pela erradicação da pobreza, está sendo mais considerado como um mal, frente a questões morais e normativas. Contudo, tais percepções eram anteriores ao consumo de massa moderno. Uma visão interessante ocorre na relação inversa àprodução, esta tida como criatividade, e o consumo como esgotamento de recursos, pensando os casos no trabalho que Marx pensava. Um exemplo tratado pelo autor se refere à temática dos ambientalistas que, abalizada sob a moral, trata o consumo como destruição. Outra visão que ele explícita encontra-se no período em que o cristianismo medieval e o consumo das elites se distanciavam das condiçõessociais do ato de consumo. Aqui fica evidente a contribuição de Pierre Bourdieu (1984), ao tratar do consumo das classes sendo naturalizados enquanto gosto.
Daniel Miller destaca que a oposição criada à cultura material se dá a partir de uma hierarquia, tomando posição de uma moral no sentido antimaterialista. Ao lembrar-se dos termos cunhados por Veblen, do consumo vicário e conspícuo, e porCampbell, do consumo sendo sinônimo de hedonismo, faz se uma crítica muito mais profunda do capitalismo. Também, do consumo como ato de simbolização, onde os “bens” eram vistos nas representações das classes e na distinção de gênero. As contradições das representações do “materialismo” está na devoção dos objetos em oposição a devoção das pessoas. Assim, lembra que uma das idéias que se tem do consumo éo do fato e o desejo que se constrói no sentido de eliminar a pobreza, como se essa condição fosse a causa do sofrimento das pessoas. Daniel Miller descreve que um dos problemas do estudo do consumo, no que chama de “pobreza da moralidade”, justamente não é a moralidade, mas sim a naturalização que fazemos, por exemplo, com a disciplina de ciência econômica, internalizando conceitos e teoriasoriundas do capitalismo. Uma crítica apontada por ele se daria por meio da condição do estudo do consumo, simplesmente, pelo fato de ser bom ou ruim.
Já na temática das perspectivas disciplinares e regionais, Miller volta a tratar da dimensão histórica que o consumo carrega, não podendo este ser confundido como postura moral. Aqui o consumo é entendido como uma atividade, apontando para os estudoshistóricos o peso crucial para a criação do debate em torno das diferenças de intenção do consumo e do uso dos bens nos tempos anteriores à perspectiva do consumo moderno. Nesse sentido, Miller frisa que os interesses sobre isso ficaram com a ciência econômica e os estudos de administração, representando um olhar mais tradicional do consumo nas relações entre as pessoas com os mercados. Nãoobstante, tem-se na ciência econômica o trabalho de fundamentos teóricos e os estudos de administração mais voltados para o ambiente de escolha dos consumidores.
Na parte do texto que fala sobre a Antropologia e suas perspectivas regionais coloca a ascensão do estruturalismo e da aplicação da semiótica ao pensar o estudo do consumo destacando os bens como sistema de comunicação em relação à linguagem...
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