Conflito entre padres jesuitas e colonos paulistas

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 16 (3928 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 17 de setembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
“Conflito entre os Colonos da Capitania de São Vicente e a Companhia de Jesus, no período de 1611 a 1640”
Miguel Luciano Bispo dos Santos[1]
Graduando - UGF

RESUMO: O objetivo deste artigo é analisar a natureza do conflito entre os padres inacianos e os colonos paulista na Capitania de São Vicente, no período compreendido entre 1611 a 1640. A essência desse embate estava nadivergência entre colonos e os padres inacianos sobre a administração da mão-de-obra indígena. Nesse sentido, analisarei a questão da importância do trabalho indígena na Capitania de São Vicente e as causas que levaram a expulsão dos padres jesuítas por 13 anos da referida Capitania, apontando que e o Breve do Papa Urbano VIII, Commissum Nobis de 1639, sobre a “Liberdade dos Índios da América” só foiestopim do confronto direto entre colonos e jesuítas e não a única causa deste conflito.
Palavras Chaves: Jesuítas, Conflito, Brasil Colônia, Escravidão Indígena

Introdução
A questão da escravidão indígena foi um dos pontos de maior tensão durante o período colonial no Brasil e envolveu os diferentes setores dessa nascente sociedade: os moradores, os jesuítas, os funcionários régios naColônia, a Coroa, e, obviamente, os próprios indígenas.
Em São Paulo colonial, essa questão da escravidão indígena foi mais intensa e conflituosa, pois a base da agricultura comercial estava ligada a mão-de-obra escrava indígena, assim como sua sociedade e cultura. “A especificidade do planalto paulista residiu na instalação de um sistema produtivo que, para ser realizado, demandou uma lutapolítica e jurídica para garantir estruturas legais mínimas que fundamentassem o regime compulsório do trabalho.”(FREITAS, 2006, p.1)
Em suma, a expulsão dos jesuítas foi provocada pela forte oposição que esses padres faziam à escravização dos índios. Essa oposição foi acirrada pelo Breve de Urbano VIII, de 22 de abril de 1639, que proibia o cativeiro dos índios. Embora essa abordagemsimplificadora dos fatos permitisse delimitar este conflito em termos de interesses bem definidos entre as partes, a situação real manifestou maior complexidade, explicando, outrossim, algumas das contradições que passaram a povoar a política indigenista dos portugueses no Brasil. Realmente, ao passo que os colonos não se mostravam unívocos a favor da escravidão como forma singular do trabalhoindígena, nem todos os jesuítas se opunham ao cativeiro. “Afinal de contas, todos – excluindo os índios, é claro – concordavam que a dominação nua e crua proporcionaria a única maneira de garantir, de uma vez por todas, o controle social e a exploração econômica dos indígenas.” (MONTEIRO, 1995, p.40-41)
No entanto, os jesuítas se opunham a sua escravização indiscriminada, como pretendiam oscolonos. Tanto jesuítas como colonos utilizavam a mão-de-obra do índio. “Para os jesuítas o índio deveria ser catequizado para ser civilizado, para os colonos a escravidão era um meio de incorporar o índio à civilização e à catequese; escravizava-se para catequizar”. (PINHEIRO, 2007, p. 43)
Enfim, para os jesuítas, a escravidão deveria ter um caráter religioso e não econômico. E, como os colonospretendiam escravizar os índios tendo em vista exclusivamente o próprio interesse, tal atitude foi interpretada pelos jesuítas como expressão da cobiça, valor esse profundamente condenado pela Igreja medieval.


A importância do trabalho indígena na colonização de Capitania de São Vicente
Mas antes entrar nas causas do conflito entre colonos e os padres inacianos, irei apresentar umabreve contextualização da fundação da Companhia de Jesus, assim como sua chegada na América portuguesa, e principalmente a importância mão-de-obra indígena para a colonização da Capitania de São Vicente (que em 1681 tornou-se Capitania de São Paulo).
Os jesuítas eram sacerdotes pertencentes à Companhia de Jesus ou Ordem Jesuíta, fundada na Europa por Inácio de Loyola, em 1534. Entre os...
tracking img