Como planejar sua carreira

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  • Publicado : 8 de abril de 2013
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O NOVO JEITO DE PLANEJAR A CARREIRA
Revista Você S/A As novas tecnologias, a dinâmica acelerada do mercado e a guerra por talentos estão criando oportunidades e mudando a forma de pensar a carreira. Se você ainda não percebeu, está atrasado

O paulista Gustavo Reis, de 28 anos, já trabalhou em sete empresas diferentes desde que se formou em publicidade, em 2003. Passo a passo, ele foiintencionalmente colecionando experiências variadas. Acabou percorrendo, em oito anos, todas as áreas possíveis de sua profissão. "Essas experiências valorizaram meu passe", diz. "Não planejei tudo isso de forma estruturada, mas a trajetória que eu trilhei não foi por acaso",completa. Diretor de mídia da agência de publicidade McCann Erickson, ele poderia estar satisfeito por ocupar uma posição dedestaque em uma empresa global. Mas Gustavo pensa em desenvolver atividades diferentes das que ele realiza na McCann. Além do trabalho na agência, ele trilha uma carreira de professor. Já deu aulas na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), de São Paulo. Parou para fazer mestrado, mas ainda dá aulas em cursos de curta duração. “Para ser um professor bem conceituado lá na frente, sei que precisoter experiência e ser conhecido no meio”, diz. “Estou me preparando para isso desde já.” Trajetórias como a de Gustavo estão se tornando cada vez mais comuns, principalmente entre os mais jovens que começam a galgar posições de liderança nas empresas. Se por um lado essas histórias profissionais causam certo desconforto (afinal, são sete empresas em oito anos e Gustavo já é diretor e nem tem 30anos), elas são emblemáticas, pois materializam o que acadêmicos e pesquisadores do mercado de trabalho vêm afirmando há três décadas. “O emprego estável, em grandes empresas, já era. A carreira média vai consistir de duas ou três ocupações com meia dúzia ou mais de chefes.” Quem diz é Tom Peters, escritor de livros de gestão e negócios, que vem batendo nessa tecla há 20 anos, sem que a maioria daspessoas lhe dê ouvidos. O especialista em cultura organizacional Edgar Schein prega que pensar a carreira de forma linear e vertical, de olho na cadeira do presidente, é tão antigo quanto o próprio conceito de organograma. “O movimento [e, poderíamos acrescentar, o crescimento] profissional ocorre em linhas horizontais”, defende Schein no livro Identidade Profissional, de 1996 — veja bem, há 14anos. Se alguém duvida que isso acontece hoje, basta olhar os programas considerados modernos da cervejaria AmBev, com sede em São Paulo. Lá, há uma prática comum de os profissionais trabalharem em projetos específicos dentro de áreas distintas. “É importante mudar de projetos e setores para aprender coisas novas, porque as empresas e o mercado mudam o tempo todo”, diz Thiago Porto, gerente dedesenvolvimento da empresa.

UMA NOVA LÓGICA

As mudanças pelas quais os profi ssionais e o mercado de trabalho vêm passando subvertem a lógica de que o salário é a coisa mais importante — até mesmo a AmBev, que adota um modelo agressivo de remuneração em troca de dedicação quase que exclusiva ao trabalho, já entendeu isso e há alguns anos está reformulando suas práticas de gestão de pessoas.“Está cada vez mais claro que é um erro acreditar que o dinheiro decide tudo. As pessoas ainda são guiadas pelo interesse próprio, mas não quer dizer que ele seja monetário. Pode ser por reputação, atenção, expressão, respeito, sentido de comunidade”, diz o físico e jornalista inglês Chris Anderson no livro A Cauda Longa, de 2007. Embora possa chocar, essa nova visão é muito mais uma evolução do queuma revolução. Justamente pelo fato de que todas essas transformações vêm sendo previstas desde os anos 70 do século passado, observa o professor Thomas Malone (leia entrevista com ele na página 36), da escola de negócios Sloan, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), e autor do livro O Futuro dos Empregos (Harvard Business School Press). “A diferença é que essas coisas, agora, estão...
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