Brasil colonia

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TOM D.
DILLEHAY:
Departamento de
Antropologia da
Universidade
de Kentucky, EUA.

DO HOMEM NA AMÉRICA

SURGIMENTO

Onde estão os
remanescentes
ósseos humanos do
final do Pleistoceno?
Problemas
e perspectivas
na procura dos
primeiros americanos
TOM

D.

DILLEHAY

INTRODUÇÃO

Q

Norte, constituindo assim a América o único
continente do planeta onde sabemos daexistência humana pré-histórica quase que
exclusivamente através dos artefatos e não
pelos restos de esqueletos humanos. Por
que, para esse período, os registros de esqueletos humanos são tão escassos nas
Américas, especialmente quando os registros do começo do período Arcaico, que o
sucede (ca. 7.000 - 9.800 antes do presente), são relativamente abundantes? Quem
sabe, uma vez que se encontre umaresposta para essa pergunta, seja possível compreender melhor outros aspectos sutis e
controversos quanto ao tópico “povoamento” do Novo Mundo.
O que mais complica a questão é a presença de dois tipos de esqueletos humanos
antigos na América do Sul (Chauchat,
1987), datados do final do Pleistoceno ao
início do Holoceno: uma forma robusta e
uma grácil. Essa diversidade precoce de
tipos depopulação humana levanta questões importantes a respeito da data de entrada, da direção dessa entrada e dos tipos
humanos que entraram no Novo Mundo. O
que fornece uma nova luz sobre esse assunto em particular são os resultados de recentes estudos craniomorfológicos de restos
humanos pré-históricos de várias localidades do hemisfério ocidental. Esses estudos
sugerem que os sul-americanos antigosmais conhecidos não apresentavam a esperada afinidade morfológica com os norteasiáticos ou com os siberianos, mas sim
com as populações do Pacífico Sul e sulasiáticos (cf. Lahr, 1996; Steele e Powell,
1992; Neves e Pucciarelli, 1990; Neves et
alii, 1993). Esses dados são complementados
pelos dos geneticistas, os quais também indicam afinidades fortes das populações sulamericanas com assul-asiáticas (Zago,
1995), bem como com as populações asiáticas em geral (Torroni e Wallace, 1995). Esses
estudos, junto com novas descobertas arqueológicas pleistocênicas, estão nos forçando a reconsiderar seriamente a origem e
a natureza dos primeiros povos que habitaram as Américas.
Neste ensaio explorarei brevemente dois
pontos: 1) a natureza e o significado da falta

1iiiiVer a contribuiçãode Neves
et alii neste dossiê para uma
opinião distinta sobre o problema (nota dos organizadores).

uando foi que o homem
entrou pela primeira vez
no Novo Mundo? Como
chegou até aqui? Que
tipos de tecnologia, economia e organização
social possuía? Como
era sua constituição biológica? Quais eram suas
crenças religiosas? Onde e como enterrou
seus mortos? Como se ajustou e qual foi
seuimpacto na vida animal e vegetal da
idade glacial nas Américas? Não há respostas claras para essas e outras perguntas.
Durante o último meio século, a opinião
geral era que os famosos caçadores Clóvis,
armados com seus projéteis de pontas
acanaladas, foram os primeiros humanos a
atravessar da Sibéria ou do nordeste da Ásia
para o Alasca, entre 11.000 e 11.500 anos
atrás, colonizando o NovoMundo (Meltzer,
1989; Lynch, 1990; Bryan, 1991; Stanford,
1991). Caso aceitemos essa visão, isso não
explica como a técnica das pontas
acanaladas chegou até a Terra do Fogo
(como se deduz das conhecidas pontas de
projétil “rabo-de-peixe”), na extremidade
final da América do Sul, aproximadamente
ao mesmo tempo que apareceu na América
do Norte. Nem explica como até agora não
se encontraramevidências no Alasca da
existência de sítios do tipo Clóvis. Uma alternativa é que os humanos atravessaram
antes de 12.000 anos, trazendo uma cultura
pré-Clóvis diferente e menos especializada,
e que a técnica da acanaladura se espalhou
mais tarde. Essa hipótese foi comprovada
no ano passado pela aceitação do sítio de
Monte Verde na região centro-sul do Chile,
com mais de 12.500 anos...
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