Bebe imaginario

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  • Publicado : 10 de janeiro de 2013
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Um bebé nasce muito antes dos nove meses de gravidez, nasce quando nasce na imaginação dos pais. Assim, o dia do nascimento não marca o início da nossa vida, nem o da relação com os nossos pais, mas simplesmente a nossa apresentação ao mundo.
Diversos autores têm enfatizado que a relação da mãe com o bebé existe desde antes da gravidez, nas fantasias da mulher relacionadas com a possibilidade deter um filho. Deste modo, além do corpo da mulher se encarregar do crescimento físico do feto, acontece, no seu psiquismo, a formação da ideia de ser mãe e a construção de uma imagem mental do bebé, é como se ocorressem três gestações ao mesmo tempo: o desenvolvimento físico do feto no útero, uma atitude de mãe no psiquismo materno e a formação do bebé imaginado na sua mente. (Stern citado porFerrari 2007).
Para Lebovici citado por Ferrari 2007, e assemelhando-se o dito pelo autor acima citado, haveria três bebés na mente materna. Um bebé edípico, resultante da própria história edípica infantil da mãe, o qual é considerado o mais inconsciente de todos e acompanhado dos desejos infantis dessa mulher. Esse seria o bebé da fantasia, o desejo de ter tido um filho com o seu pai que foireprimido quando da dissolução do Complexo de Édipo. O outro bebé, segundo o autor, seria o bebé imaginário, construído durante a gestação, o bebé dos sonhos diurnos e das expectativas, o produto do desejo de maternidade. Por fim, o terceiro seria o bebé propriamente dito, aquele que a mulher segurará nos braços no dia do nascimento.
Porem para Horstein citado por Ferrari 2007, é fundamental que oprocesso de imaginar o bebé se inicie assim que a mulher confirma a sua gravidez. É isso que possibilitará que o feto mude de estatuto para o ser criança. Se isso ocorre, a criança, desde a sua concepção, estará inserida no mesmo mundo simbólico dos pais e fará parte dele. Stern citado pela mesma autora, acredita que o desenvolvimento do feto e a representação do bebé feita pela mãe, não ocorremparalelamente. O autor afirma que, no quarto mês de gestação, há uma intensificação por parte da mãe da representação do seu feto como bebé imaginado, isto ocorre por um lado pela presença de movimentos fetais, onde a mãe começa a fazer leitura dos mesmos e também pela possibilidade de visualização do bebé através de ecografia, estes irão dar mais dados a ser acrescentados ao bebé imaginado. SegundoStrecht citado por Faria (2009), a ecografia é uma oportunidade de entrar em contacto directo com o bebé enquanto ser vivo e interactivo. Permite visualizar as inúmeras capacidades do filho, como a destreza dos seus movimentos, como as mãos a abrirem-se e fecharem-se, chuchar os dedos, e observar a sua reacção a diversos estímulos. Segundo este autor, os momentos durante a realização da ecografiasão momentos em que de facto se está com o bebé, e esse facto, por si só, cria um inabalável apego àquela criança que está por nascer.
O período entre o quarto e o sétimo mês é quando a imaginação das futuras mães está mais fértil, e no sétimo ou no oitavo mês de gestação o bebé está já bem definido na mente materna. Entre o oitavo e o nono mês da gravidez, acontece uma inibição do processoimaginativo relacionado ao bebé, esse processo ocorre em função da proximidade do parto, momento no qual se encontrarão o bebé imaginado e o bebé real. O bebé imaginado possibilita à mãe entrar em relação com seu filho muito antes de ele nascer. Nessa construção, a mãe vai personificando o feto para que, no momento do nascimento, ela não se encontre com alguém completamente estranho. Essa personificaçãodo feto vai acontecendo à medida que os pais escolhem o nome do bebé, suas roupas e, também, modificam a casa. Ao dar características aos movimentos fetais, personificar esses movimentos, dizendo o que esse filho será, acaba atribuindo uma personalidade ao feto. (Brazelton & Cramer, 1992 citado por Ferrari at al 2007).
Para Soifer (1986) o pós-parto é a etapa de delimitação entre o perdido...
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