Atresia do esofago

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  • Publicado : 10 de maio de 2011
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Atresia do Esôfago
1-Introdução e Histórico
A atresia do esôfago (AE) com fístula traqueoesofágica(FTE) é uma malformação congênita freqüente que ocorre em cerca de 1 para 3500 nascimentos. Houve um avanço dramático em seu tratamento, principalmente devido aos cuidados de UTI neonatal, passando de uma mortalidade de 100% para uma sobrevida próxima a 95% nos dias de hoje. Porém, ainda é fatal senão diagnosticada e tratada precocemente. A primeira descrição acurada dessa anomalia na literatura foi feita pôr THOMAS GIBSON & DURSTON em 1670, que reconheceram o tipo mais comum, a atresia do esôfago com fístula distal. Em 1936, WILLIAM LADD, obteve a primeira sobrevida em cirurgia em estágios. No entanto, somente após HAIGTH & TOWSLEY em 1941, conseguirem sobrevida de um caso de AE operadoem um só tempo, ou seja, ligadura da FTE distal com anastomose primária do esôfago proximal e o remanescente esofágico distal, é que efetivamente, a correção da AE sofreu maior impulso.
Pode-se dizer que, de forma geral, o cirurgião pediatra só se considera especialista quando obtém o seu primeiro sucesso no tratamento de uma criança com atresia de esôfago. Em 1953, CARVALHO PINTO, VILHENA DEMORAES E PINUS obtiveram a primeira sobrevida no Brasil, que viria a ser também a primeira da América Latina.
2-Conceito
Anormalidade congênita caracterizada pela ausência de um segmento do esôfago na porção torácica. A maioria dos pacientes tem ainda uma comunicação anormal entre a traquéia e o esôfago inferior chamada fístula traqueoesofágica distal.
3-Embriologia
No início da gestação, porvolta da 3o semana de vida intra-uterina, um tubo endodérmico comum ao intestino primitivo e ao esboço respiratório se dividirá em esôfago e traquéia. Por volta da 4osemana de vida intra-uterina surge no assoalho do intestino anterior primitivo um sulco laringotraqueal que cresce no sentido cranial ao mesmo tempo em que ocorre uma septação lateral separando a porção traqueobrônquica (ventral) eesofágica (dorsal)( Figura 1).


FIGURA I – Embriogênese da AE
Várias teorias que tentam explicar a anomalia podem ser agrupadas nos seguintes ítens:
1. PRESSÃO INTRA-EMBRIÔNICA: *Pressão do alargamento do coração
embriônico
*Pressão dos vasos anormais
*Pressão do recesso pneumatoentérico
*Hiperreflexão embriônica
2. OCLUSÃO EPITELIAL
3. INSUFICIÊNCIA VASCULAR
4. ANORMALIDADES DA RELAÇÃO DECRESCIMENTO DIFERENCIAL
*Falha no desenvolvimento do septo traqueoesofágico
*Supercrescimento de cristas laterais ao esôfago
*Deslocamento ventral da prega dorsal do intestino cefálico
*Distúrbio do controle mesenquimal de diferenciação
Na pesquisa de Pinus em 1972, sobre a vascularização arterial do esôfago normal do recém-nascido e do esôfago atrésico, encontrou que, em 18 casos estudados,havia ausência da artéria brônquica direita, determinando uma zona de insuficiência vascular e que poderia ser uma das causas da atresia do esôfago.

4-Anatomia e Classificação
AE com FTE distal (86%)(Figura 2) é a mais comum das anomalias. O esôfago proximal termina em fundo cego ao nível da 3º vértebra torácica. Ele pode ser curto, terminando próximo da 7º vértebra cervical ou longo, ao nívelda 5º vértebra torácica. A musculatura do segmento proximal é hipertrofiada, e o diâmetro muito mais largo que o segmento distal que tem sua origem da traquéia. A fístula pode raramente conectar-se ao brônquio. Um espaço entre o coto proximal e a fístula sempre existe. O tamanho do coto proximal, a localização da FTE e o espaço entre eles(GAP), são fatores que influenciam na correção cirúrgica. Airrigação do coto proximal é feita pelo tronco tireocervical. Isto possibilita grande mobilização sem comprometimento do suprimento vascular. O segmento distal, entretanto tem irrigação segmentar (terminal) vindo das artérias intercostais, podendo ser comprometido mesmo com mobilizações mínimas. O segmento proximal permite ainda técnica de alongamento ("LIVADITIS") que facilita a anastomose...
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