Assedio moral no trabalho e suas consequencias

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  • Publicado : 13 de dezembro de 2011
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Escrever monografias e artigos científicos

Prof. Dr. Nicolas Maillard (INF-UFRGS).

Escrever bem é fundamental. Ao contrário do que alguns parecem pensar, os documentos escritos são lidos e são importantes. Se seu trabalho é interessante, de alguma forma você deverá explicá-lo, seja através de comentários no código fonte, por e-mail ou em uma monografia. Mais importante ainda numa abordagemcientífica, ao meu olhar, o simples fato de (tentar de) colocar as idéias pela escrita obriga-nos a formatá-las, o que leva automaticamente a obter a distância crítica necessária para avaliá-las. É muito fácil viajar e fantasiar. Escrevendo-se as coisas, se enxerga muito mais o que vai sobrar.
Por isso, aqui vai a primeira dica: escrever sempre e de forma contínua, desde o início do trabalho.Nessa fase, qualquer arquivo texto ou blog serve, trata-se mais de anotações pessoais para manter um relato de suas idéias e de suas evoluções. É muito difícil, depois de digamos um ano de TC, sentar e escrever 80 páginas de uma vez. É muito mais fácil juntar o material acumulado, tendo apenas que filtrá-lo, quando se escreveu anotações desde o início.

O Norte, o Sul, o Leste e o Oeste: o planoEscrever oitenta páginas o preocupa? Pois não é difícil, pelo menos para um assunto científico. A segunda dica, fundamental, é que não se escreve tal documento começando pela página 1 da introdução, para terminar 2 meses depois na página 80. A abordagem é “top-down”: começa-se pelo plano. O plano é o fio diretor e deve ser montado indo do geral para o particular, numa estrutura hierárquica:1. Qual é a idéia principal, a contribuição, o recado? Isso deve se traduzir pelo título. Para obtê-lo, jogue as palavras chaves no papel, tente combinações até achar a fórmula mágica.
2. Obtido o título, pense nos capítulos. Você vai dever contextualizar e escrever o material necessário ao entendimento de suas contribuições. Em geral, isso leva a criar um ou dois capítulos. Sua proposta merecepelo menos um ou dois capítulos também, por exemplo, para detalhar o projeto e depois a implementação. Por fim, não basta dizer que você projetou um chip revolucionário ou inventou uma estrutura de dados que possibilita qualquer acesso em tempo constante, sem prover argumentos para validar essa pretensão. Ou seja, deverá ter pelo menos mais um capítulo de avaliação de desempenho, ou de provateórica da qualidade de sua proposta. Enfim, uma conclusão deverá sintetizar os avanços e listar as limitações a serem superadas em seu trabalho. (Ninguém irá acreditar que não tem limitação, então é melhor ser honesto nessa parte…)
3. Cada capítulo deverá ser decomposto em seções. Cada seção deve ser relacionada à anterior e à posterior, através de transições lógicas. Nesse ponto, a palavra chaveé coerência. O grande inimigo é a “concha de retalhos”: não se decompõe um capítulo em seções para nelas jogar qualquer coisa que pareça relevante. Pelo contrário, cada seção deve vir complementar a anterior, numa progressão que leve o leitor a entender sua abordagem e sua lógica. O capítulo deve começar com uma mini-introdução que deixe clara essa lógica interna. Ele deve se encerrar por umapequena conclusão que o resume e encaminhe naturalmente o leitor a se motivar para o próximo capítulo.
4. Cada seção deverá ser decomposta em sub-seções, ou pelo menos em parágrafos. O número de sub-(sub)*-seções depende basicamente da complexidade e da profundidade do assunto. Nem sempre é bom escrever um documento que vai até o nível 2.3.1.1 a) de detalhamento.
Chegado a este nível dedetalhamento do plano, você deve conseguir projetar um certo número de páginas por (sub*)seção. Feito isso, você tem seu fio diretor pronto.
Veja bem que o trabalho sobre o plano é ortogonal à primeira dica (de escrever sempre). O plano é o esqueleto, a escrita contínua é a carne.
Pronto? Claro que não! O terceiro segredo é que um plano nunca é definitivo. Até você entregar a monografia, você sempre...
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