As flores encomendadas

358 palavras 2 páginas
As flores encomendadas

Um grande carro de luxo parou diante do pequeno escritório à entrada do cemitério e o chofer, uniformizado, dirigiu-se ao vigia. Você pode acompanhar-me, por favor? É que minha patroa está doente e não pode andar, explicou. Quer ter a bondade de vir falar com ela? Uma senhora de idade, cujos olhos fundos não podiam ocultar o profundo sentimento, esperava no carro. Nestes últimos dois anos, mandei-lhe dois dólares por semana. Para as flores, lembrou o vigia. Justamente. Para que fossem colocadas na sepultura do meu filho. Vim aqui hoje, disse um tanto consternada[1], porque os médicos me avisaram que tenho pouco tempo de vida. Então quis vir aqui para uma última visita e para lhe agradecer. O funcionário teve um momento de hesitação, mas depois falou com delicadeza: Sabe, minha senhora, eu sempre lamentei que continuasse mandando dinheiro para as flores. Como assim? Perguntou a senhora. É que... A senhora sabe... As flores duram tão pouco tempo e afinal, aqui ninguém as vê... O senhor sabe o que está dizendo? Retrucou a senhora. Sei sim, minha senhora. Pertenço a uma associação de serviço social, cujos membros visitam os hospitais e os asilos. Lá, sim, é que as flores fazem muita falta. Os internados podem vê-las e apreciar seu perfume. A senhora deixou-se ficar em silêncio em alguns segundos. Depois sem dizer nada, fez um sinal ao chofer para que partissem. Apenas alguns meses depois, o vigia foi surpreendido por uma outra visita. Duplamente surpreendido, porque, desta vez, era a própria senhora que vinha guiando o carro. Agora eu mesma levo as flores aos doentes, explicou-lhe com um sorriso amável. O senhor tem razão. Os enfermos ficam radiantes[2] e faz com que eu me sinta feliz. Os médicos não sabem a razão da minha cura, mas eu sei: é que eu reencontrei motivos pra viver. Não esqueci meu filho, pelo contrário, dou as flores em seu nome e isso me dá forças Esta senhora descobrira o que quase todos não

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