Arquitetura do maneirismo

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A ARQUITETURA DO MANEIRISMO
O debate crítico sobre o Maneirismo gira ainda hoje em torno de três temas principais: a sua extensão no espaço e no tempo, o seu substancial anticlassicismo, a condição dos artistas na sociedade contemporânea. Para cada um desses três temas, não se pode deixar de evocar Palladio, como um dos maiores protagonistas da arte na segunda metade do século XVI.

Omaneirismo é, em substância, a busca de uma dignidade intelectual da prática artística para compensar a crise da teoria,ou seja, do caráter cognoscitivo ou teórico da arte.
O anticlassicismo maneirista não implica, de alguma forma, um descrédito do estudo e ,talvez, da imitação do antigo. O classicismo não é o antigo, mas a observância de certas normas ou regras deduzidas de uma generalização euniformização das cognições, todas elas diferentes do antigo.
Desta renovatio era fácil vislumbrar a oportunidade, ou melhor, a necessidade religiosa e política. Com a composição do cisma e o retorno do Papa de Avignon, a Igreja romana veio basear o direito a uma autoridade preeminente em sua maior e em sua ligação histórica com o império romano.
É sabido que o propósito da renovatio não teveseqüência. Deixando de lado seu caráter utópico e o elevadíssimo custo, a idéia de um renascimento de Roma não podia agradar a outras cidades de igual importância política, que se declaravam herdeiras não menos legítimas da Roma antiga.
É bem verdade que o programa de uma ampla renovation urbis reaparece em 1513, no relatório de Bramante a Leão X, elaborado num círculo que também era o de Rafael.
O pontoculminante e , ao mesmo tempo,o ponto crítico da ideologia clássica é atingido, com um senso de drama que se transforma em tragédia, por Mantegna, que chegou em 1460,proveniente da liviana Pádua, á Mântua virgiliana.No entanto, por ser o classicismo albertiano abstratamente ideológico,Mantegna teve de tentar sustentá-lo com uma severa pesquisa antiquaria filológica,que demonstrava uma vez maiscomo a imagem do classicismo empalidecia á medida que se procurava dar-lhe corpo como a redescoberta do antigo.
Classicismo não era mais que uma aura, uma cadência, certa medida de grandeza ou, se assim se preferir, uma remota linguagem, que, para servir ás ocorrências presentes, devia enriquecer-se continuamente com neologismo, um estímulo intelectual que gerava sempre algo de diferente de si.Era lógico que, em Vicenza, como antes em Verona e em Mântua, a idéia de uma renovatio urbis se configurasse de uma maneira bem diferente da de Roma. Tratava-se, em suma, de recuperar o esqueleto da cidade antiga sob as superfetações arquitetônicas, de romper e dilatar a espacialidade medieval, por demais estreita, romper o constritivo círculos de muros, estabelecer com a natureza circundanteuma comunicação contínua da qual, no passado, procurava-se escapar por motivos de segurança e de defesa, motivos esse agora não mais existentes.
A arquitetura palladiana, com os palácios da cidade e as vilas do campo, definiu a nova realidade urbana de Vicenza, mas ao mesmo tempo, esse mordenismo classicista transformou em prática a teoria e em não-clássico ou mesmo anticlássico o classicismoprogramático ou emblemático do arquiteto.
A elasticidade espacial determinada pelos detalhes era, também, condição para ar livre utilização, não condicionada por princípios estruturais ou proporcionais a priori, das morfologias deduzidas do antigo: cada elemento devia poder se modificar em relação á circunstância espacial em que era utilizado.
A tipologia arquitetônica do século XVI nascera comSerlio a partir da não muito dissimulada intenção de generalizar um vocabulário clássico da arquitetura onde não era possível a experiência direta dos monumentos antigos.
O empenho criativo começa logo que se trata de traduzir o inevitável abstracionismo do tipo na realidade concreta do edifício.É daí que parte a corrente de dificuldades que, na cultura artística do Maneirismo, constituiu a...
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