Adrenoleucodistrofia

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Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí – NOVAFAPI
Curso: Biomedicina 3º Bloco
Disciplina: Bioquímica
Professora:

ADRENOLEUCODISTROFIA

Resumo do artigo:
Historia:
A adrenoleucodistrofia (X-ALD) ligada ao cromossoma X (OMIM N° 300100) foi identificada como uma nova entidade clínica em 1923, num rapaz que apresentavahiperpigmentação desde os 3-4 anos de idade, progressivas perturbações neurológicas e de comportamento e ainda alterações no funcionamento das glândulas supra-renais (Siemerling e Creutzfeldt, 1923). O nome adrenoleucodistrofia foi proposto por Blaw apenas em 1970 (Blaw, 1970). Fanconi e colaboradores (1963) sugeriram que esta patologia apresentava um modo de transmissão recessivo e ligado aocromossoma X após terem verificado que todos os casos reportados na literatura até então se referiam a doentes do sexo masculino. Nessa altura especularam que o envolvimento cerebral e das glândulas supra-renais se poderiam ficar a dever a um único defeito genético. A expressão fenotípica da X-ALD é amplamente heterogênea, sendo em 1976 reconhecida a primeira forma adulta de X-ALD (Budka et al, 1976) emais tarde pormenorizada e denominada como adrenomieloneuropatia (AMN) (Griffin et al, 1977). A evidência de que X-ALD e AMN é a mesma entidade patológica surgiu quando numa mesma família foram detectados 4 casos de adrenoleucodistrofia e um de adrenomieloneuropatia (Davis et al, 1979)
Willems e colaboradores (1990) verificaram que doentes com X-ALD e AMN pertencentes à mesma família possuemidênticos haplotipos demonstrando que a X-ALD e AMN não são causadas por mutações alélicas diferentes. Até à presente data são inúmeras as publicações que dão conta da variabilidade clínica da X-ALD (Budka et ai, 1981; Moser et al, 1992a; Maris et al, 1995), mesmo em gêmeos monozigóticos (Sobue et al, 1994). A determinação da concentração dos ácidos gordos de cadeia muito longa (AGCML) no plasma (Moser etal, 1981) e em eritrócitos (Tsuji et ai, 1981) rapidamente se tornou na forma de diagnóstico da X-ALD, uma vez que nestes doentes há acumulação de ácidos gordos de cadeia muito longa em vários tecidos e no plasma. O diagnóstico pré-natal é também possível pois a acumulação de AGCML foi detectada em amniócitos após cultura (Moser et ai, 1982; Singh et al, 1984a).

Bioquímica:

Em células dedoentes com X-ALD detectam-se níveis de p-oxidação dos ácidos gordos de cadeia longa (C16: 0 e C20:0) normais, catalase normal, biossíntese de plasmalogéneos e atividade da enzima DHAP-AT também normais, a única alteração é a acumulação de AGCML

Os ácidos gordos de cadeia muito longa (AGCML) são definidos como ácidos gordos contendo um número de átomos de carbono superior a 22 (C22), podendoser saturados ou insaturados. Nas células a percentagem de ácidos gordos de cadeia muito longa em relação à quantidade de ácidos gordos total pode variar entre os 0.1% e 10%. Os AGCML saturados encontram-se em elevada freqüência na esfingomielina dos glóbulos vermelhos e nos lipídios da bainha de mielina do sistema nervoso.

O ácido cerótico (C26: 0) representa 1% a 5% do total de ácidos gordos naesfingomielina dos glóbulos vermelhos, cerebrosídeos e sulfatídeos cerebrais (Rizzo et al, 1987). Nos restantes tecidos a percentagem de AGCML é muito inferior, sendo que o C26: 0 representa cerca de 0.01% e 0.02% de ácidos gordos totais no plasma e glândula supra-renal, respectivamente (Moser et al, 1981).

O sistema de oxidação de ácidos gordos peroxissomal foi identificado em 1976 (Lazarow eDe Duve, 1976). Os peroxissomas p - oxidam uma série de substratos: ácidos gordos de cadeia média, longa e muito longa, ácidos dicarboxílicos de cadeia média e longa, ácidos gordos com ramificação 2-metil derivados do isoprenóido (exemplo: ácido pristânico), prostanóides (prostaglandinas, tromboxanos, leucotrienos), as cadeias laterais carboxílicas de certos xenobióticos e dos intermediários...
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