Abuso sexual infantil

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Consequências psicológicas do abuso sexual infantil
Karine Suély Cogo* Álvaro Cielo Mahl** Lisandra Antunes de Oliveira*** Verena Augustin Hoch**** Resumo Este estudo teve por objetivo conhecer as consequências psicológicas do abuso sexual em crianças de 3 a 10 anos. A experiência do abuso sexual pode afetar o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social de crianças de diferentes formas eintensidade. Estes fatores contribuem para o desenvolvimento de consequências psicológicas severas para a criança que se não tratadas podem se perpetuar por toda a vida. Participaram da pesquisa três psicólogas do extremo oeste de Santa Catarina as quais responderam um questionário semi estruturado. Os dados foram tratados por meio da análise de conteúdo. Os resultados apontam para diversas consequênciasdecorrentes da prática do abuso sexual, relacionadas a vários fatores, que podem ser minimizadas através do atendimento psicológico. Palavras-chave: Abuso sexual. Crianças. Consequências psicológicas.

1 INTRODUÇÃO Maus-tratos contra crianças podem ocorrer das mais variadas formas, porém estudos apontam que o abuso sexual se destaca por ser o que mais trás danos físicos e psicológicos. Atualmenteo abuso sexual infantil é considerado um grave problema de saúde pública tanto pela elevada prevalência do fenômeno, quanto pelo seu impacto deletério no indivíduo, nos familiares e na sociedade (HABIGZANG; CAMINHA, 2008). Os abusos sexuais têm suas ocorrências primárias já na Antiguidade. Pesquisas apontam que o imperador romano Tibério tinha inclinações sexuais que incluíam crianças como objetode prazer. Há relato de que ele se retirou para a ilha de Capri com várias delas, e que as obrigava a satisfazer sua libido através da prática de diversas formas de atos sexuais (ADED et al., 2006). Segundo Sanderson (2008) durante o modo de infanticídio no século IV, as filhas eram estupradas. Meninas da Grécia e de Roma dificilmente possuíam um hímen intacto. Os filhos também estavam sujeitos aabusos sexuais e estupros em que eram entregues a homens mais velhos a partir dos sete anos de idade até a puberdade.
_____________ * Acadêmica do curso de Psicologia da Universidade do Oeste de Santa Catarina Campus de São Miguel do Oeste; karine_cogo@hotmail.com ** Mestre em Psicologia do Desporto e do Exercício pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro de Portugal e professor do Curso dePsicologia da Universidade do Oeste de Santa Catarina. *** Mestre em Psicologia Social e da Personalidade pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e professora do Curso de Psicologia da Universidade do Oeste de Santa Catarina. **** Mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e professora do Curso de Psicologia da Universidade do Oestede Santa Catarina.

Unoesc & Ciência – ACHS, Joaçaba, v. 2, n. 2, p. 130-139, jul./dez. 2011

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Karine Suély Cogo, Álvaro Cielo Mahl, Lisandra Antunes de Oliveira, Verena Augustin Hoch

A prática de abusos sexuais e maus-tratos foram bastante aceitos até o século XVIII. A partir de então ocorreram mudanças nas atitudes em relação ao abuso sexual em crianças. Com as reformas humanísticas,religiosas e políticas associadas com a Renascença, as práticas de abuso sexual foram mantidas sob controle. Assim, manter meninos e meninas para que tivessem relações sexuais com adultos tornou-se um ato não aceito pela sociedade, sendo este totalmente proibido. Então, a família começou a se moldar e a criança ganha destaque tendo como princípio a educação, o carinho e a compreensão. Isso, no entanto,não significa que o abuso sexual em crianças não mais exista (SANDERSON, 2008). O estudo dos maus tratos contra crianças é recente. Somente nos últimos quarenta anos é que se iniciaram as investigações acerca dessa temática. Segundo Aded et al. (2006) o abuso sexual é uma das formas mais danosas, no entanto, pouco se avançou no sentido de prevenir e amenizar suas consequências. Diferenças...
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