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ISSN 1678-9636

Manejo Integrado de Pragas do Feijoeiro
Com a expansão da área cultivada do feijoeiro sob irrigação, o cultivo sucessivo (por ex. soja, feijoeiro) e intensivo das áreas (por ex. milho safrinha), bem como o uso intensivo de inseticidas químicos, favoreceram o aumento de pragas nas culturas. Com o aumento das pragas, o uso de inseticidas tem sido constante e muitas vezesindiscriminado, aumentando o custo de controle e tornando o controle de pragas mais difícil e complexo. Em muitos casos, esse controle é realizado com base em calendário (normalmente em pulverizações semanais) ou pela presença do inseto, mesmo que a população esteja abaixo do nível de controle. Existe, também, uma tendência em superestimar o dano do inseto. O uso constante e muitas vezes indiscriminado deinseticidas, ocasiona invariavelmente reduções da população de organismos benéficos, fazendo com que o agricultor fique cada vez mais dependente dos produtos químicos. Além disso, a praga desenvolve resistência aos inseticidas, ficando muito difícil de ser controlada, obrigando o agricultor a mudar de produto, aumentar a dose ou até mesmo misturar ou usar produtos mais tóxicos. Para auxiliar osprodutores e técnicos na tomada de decisão em relação ao controle de pragas do feijoeiro, a Embrapa Arroz e Feijão está implementando o manejo integrado de pragas do feijoeiro (MIPFeijão), para que o controle das pragas seja feito de forma racional e econômica. O MIP-Feijão leva em consideração o reconhecimento das pragas que realmente causam danos à cultura, a capacidade de recuperação das plantasaos danos causados pelas pragas, o número máximo de indivíduos dessas pragas que podem ser tolerados antes que ocorra dano econômico (nível de controle), e o uso de inseticidas seletivos de forma criteriosa. Desta forma, espera-se produzir feijão mais eficientemente, minimizando os custos, diminuindo o impacto ambiental dos produtos químicos e garantindo a sobrevivência dos inimigos naturais daspragas (insetos benéficos). A tecnologia do MIP-Feijão foi validada em várias regiões produtoras de feijão. Na região de Santa Helena de Goiás-GO, com a utilização desta tecnologia, reduziu-se em 64% a aplicação de inseticidas, com uma economia de 78% no custo de controle e produtividade média de 3030,7 kg/ha (Tabela 1). Na região de Cristalina-GO e Gameleira de Goiás-GO, em algumas das áreasamostradas, o feijão foi colhido sem nenhuma pulverização e, em outras, com somente uma pulverização, reduzindo o custo de controle em cerca de 89,2% (Tabelas 2 e 3). Informações sobre metodologia de monitoramento das pragas e seus inimigos naturais na lavoura, e os níveis de controle para cada praga são apresentadas neste documento, para facilitar a utilização da tecnologia do MIP-Feijão pelosusuários.

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Santo Antonio de Goiás, GO dezembro, 2001

Autora
Eliane D. Quintela Engenheira Agrônoma, Ph.D., Embrapa Arroz e Feijão, Caixa Postal 179, 75375-000 Santo Antônio de Goiás, GO.

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Manejo Integrado de Pragas do Feijoeiro

Tabela 1. Área plantada, número de pulverizações e custo de controle em áreas conduzidas de acordo com o manejo integrado de pragas e de acordo com oprodutor no plantio de maio, em Santa Helena de Goiás, GO, em 2000. Cultivar Área (ha) Número de pulverizações Produtividade (Kg/ha) Custo de controle (R$) (Produto + aplicação)

Pérola Pérola Pérola Pérola Média Pérola Redução média

58 18 20 20 90 -

MIP- Feijão 3 2 2 2 2,2 Área do Produtor 7,3 5,1

3.649,8 2.822,9* 3.230,8 2.419,3* 2.989,4 -

76,92 46,04 46,04 46,04 54,0 350,4 296,4

*Áreas com plantio no final de maio, com o feijoeiro sendo atingido por geada durante a floração.

Tabela 2. Cultivar, área plantada, produtividade, número de pulverizaçõs e custos de controle em áreas conduzidas de acordo com o manejo integrado de pragas e, de acordo com o produtor, no plantio de julho/agosto em Cristalina, GO, em 2001. Cultivar Área (ha) Número de pulverizações Produtividade...
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