a quem cabe ensinar a leitura e a escrita?

Páginas: 5 (1085 palavras) Publicado: 7 de agosto de 2013
Resenha do livro "Linguagem e escola - Uma perspectiva social"

SOARES, Magda Linguagem e escola - uma perspectiva social. 17º edição. São Paulo: Ed. Ática, 2001.


Magda Soares é Doutora em Educação e atualmente professora titular emérita pela UFMG. Suas obras são especificamente sobre lingüística e suas implicações se dão tanto na sociedade quanto na escola. E é o livro “Linguagem eescola - uma perspectiva social’’ que retrata bem a análise das relações entre a escola e a linguagem em suas perspectivas sociais.
Seguindo o raciocínio de que a escola cada vez mais vem apresentando altos índices de repetência e evasão, a autora começa apresentando três explicações para tal fato. A escola, que é tida como “democrática”, está cada vez mais distante de satisfazer e atender a todos demaneira “igual”, o que acentua ainda mais as desigualdades sociais. Para levar o leitor a essa reflexão Magda Soares se utiliza de autores como Bernstein (sua teoria é o uso da linguagem em função de relações sociais), Labov (cuja teoria desmistifica a idéia de privação lingüística) e Bourdieu (que aponta relações entre a língua e as condições sociais).

No Capítulo dois, a autora faz um brevehistórico acerca dos caminhos percorridos pelas camadas populares na busca de uma educação igualitária. Diante dessa trajetória Magda Soares apresenta as três explicações para uma educação insatisfatória quantitativa e qualitativamente. A primeira trata da ideologia do dom, a qual explica que as causas do sucesso ou insucesso dependem unicamente do indivíduo, de sua aptidão, inteligência, talento.A segunda: ideologia da deficiência cultural, diz que o fracasso dos alunos é proveniente do “déficit” ou carência cultural devido o meio em que vivem do ponto de vista econômico. A terceira ideologia da diferença cultural, que vai tratar o “problema” da linguagem como sendo algo oriundo de culturas diferentes, onde a camada dominada é marginalizada e excluída por isso.

O Terceiro capítulodiscute a deficiência linguística encontrada na educação. Segundo a obra, as crianças apresentam-se como portadoras de carências e deficiências provenientes do meio em que estão inseridas. Concretiza-se dessa maneira a teoria da deficiência cultural, que nos revela a dificuldade enfrentada pelas camadas populares, que sofrem ao tentar se entregar “ao sistema de ensino”, pois não vivenciaram segundoalguns pesquisadores situações contextuais que desenvolvesse a linguagem nos mesmos. Dessa forma é proposto pelas escolas uma educação compensatória que venha suprir tal “privação”. Porém a autora nos leva a enxergar que tal ação está imbuída de uma estrutura discriminatória, deste a raiz ao ápice de sua trajetória.

No Quarto capítulo, a autora trata da severa crítica que sociolinguísticas fazemaos sociólogos, sobretudo aos psicólogos que desenvolveram a teoria da deficiência linguística. Estes estudiosos, usando-se de uma impropriedade científica afirmando a existência de uma língua “melhor” mais “adequada”, “superior”. Já anos mais tarde sociólogos e antropólogos mostraram que na verdade havia uma infinidade de variações linguísticas, para cada cultura existente. Foi então que Lagov,na década de sessenta apresenta as primeiras pesquisas que irão desmistificar a teoria da deficiência linguística. O estudioso constatou que as crianças dos guetos, ao contrário do que se pensava, usavam muito mais frases com sentido do que crianças das camadas mais favorecidas, pois as crianças (dos guetos) são mais estimuladas verbalmente do que qualquer outra.

O Quinto capítulo estrutura-sesobre a idéia de que até hoje pesquisadores descobrem diferentes expressões e vocabulários para justificar o real problema das camadas desprivilegiadas, mas mesmo assim tal teoria tem se mostrado ineficaz, pois ignoram o fato essencial que pretendem resolver. Na verdade o que se sabe é que o fator essencial está na relação entre educação e sociedade, e como a escola é vista por essa estrutura...
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