A Improbabilidade De Deus

Páginas: 11 (2736 palavras) Publicado: 20 de julho de 2015
A Improbabilidade de Deus

Richard Dawkins

A Improbabilidade de Deus
Richard Dawkins

Muito do que as pessoas fazem é em nome de Deus. Irlandeses explodem uns aos outros em nome de Deus.
Árabes explodem-se a si mesmos em seu nome. Imames e aiatolás oprimem mulheres em seu nome. Papas e
padres celibatários interferem na vida sexual das pessoas em seu nome. Judeus shohets cortam a garganta deanimais em seu nome. As conquistas históricas da religião — cruzadas sangrentas, inquisições torturantes,
conquistadores genocidas, missionários destruidores de culturas e toda resistência possível contra o progresso
científico — são ainda mais impressionantes. E qual é a parte positiva? Fica cada vez mais evidente que a
resposta é “absolutamente nenhuma”. Não há motivos para acreditar na existênciade quaisquer tipos de
deuses, mas razões bastante boas para concluir que não existem e nunca existiram. Tudo foi apenas um
gigantesco desperdício de tempo e vidas. Uma verdadeira piada de proporções cósmicas, se não fosse tão
trágico.
Por que as pessoas acreditam em Deus? Para a maioria, a resposta ainda é alguma versão do antigo argumento
do “design inteligente”. Nós olhamos a beleza ecomplexidade do mundo, a forma aerodinâmica da asa de uma
andorinha, a delicadeza das flores e das borboletas que as fertilizam; através de um microscópio, vemos vida
pulular numa pequena gota d’água, através de um telescópio, vemos a imensidão do Universo. Nós refletimos
sobre a complexidade eletrônica e sobre a própria perfeição óptica de nossos olhos. Se possuirmos um pouco de
imaginação, tais coisasgeram um senso de espanto e reverência. Ademais, não podemos deixar de perceber a
óbvia semelhança entre nossos órgãos e os designs cuidadosamente planejados pelos engenheiros humanos. A
versão mais célebre desse argumento é a analogia com um “relojoeiro” feita pelo padre William Paley no século
XVIII. Mesmo se não soubéssemos o que é um relógio, o caráter de suas engrenagens e molas e como elas seorganizam com uma única finalidade nos levaria a concluir “que o relógio forçosamente teve um criador: assim,
deve ter existido, em algum tempo e em algum lugar, um artífice, que o construiu com uma finalidade, que
compreendeu seu funcionamento, que o projetou”. Se isso é verdade para um relógio relativamente simples,
então imagine para um olho, ouvido, rim, fígado, cérebro. Essas lindas, complexas,intrincadas e obviamente
pré-planejadas estruturas tiveram um designer, tiveram seu “relojoeiro” — Deus.
Esse é um argumento que praticamente todas pessoas pensativas e sensíveis descobrem elas próprias em
algum estágio de suas infâncias. Ao longo da maior parte da história ele provavelmente foi muito convincente,
pois se autoevidencia. No entanto, devido a uma das mais surpreendentes revoluçõesintelectuais da história,
agora sabemos que é falso, ou ao menos supérfluo. Sabemos agora que o aparente “pré-planejamento” dos
seres vivos deu-se através de processos inteiramente distintos, um mecanismo que prescinde de qualquer
designer e que é fruto de leis físicas muito simples: o processo da evolução das espécies através da seleção
natural, descoberto por Charles Darwin e, independentemente,também por Alfred Russel Wallace.
O que todos esses objetos aparentemente projetados têm em comum? Improbabilidade estatística. Se
encontrássemos um cristal transparente com o formato de uma lente rudimentar, não concluiríamos que foi

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A Improbabilidade de Deus

Richard Dawkins

projetado por um opticista: as leis da física por si mesmas são capazes de tal feito; não é muito improvável queesse cristal tenha apenas “acontecido”. Mas caso encontrássemos lentes compostas, cuidadosamente
constituídas de modo a evitar aberrações esféricas e cromáticas, com proteção antirreflexo e com as palavras
“Carl Zeis” gravadas em sua lateral, saberíamos que elas não podem ser fruto do acaso. Pegando todos os
átomos de tal objeto e jogando-os ao acaso sob influência das forças naturais da física, é...
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