VIDA PARA CONSUMO

Páginas: 15 (3710 palavras) Publicado: 11 de julho de 2014
CONTRACAMPO 
REVISTA DO PROGRAMA DE PÓS‐GRADUAÇÃO EM COMUNICAÇÃO ‐ UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE 

Resenha
Livro: A Vida para o consumo: a transformação das pessoas em mercadoria, de
Zygmunt Bauman. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

A VIDA PARA O CONSUMO: SUJEITOS COMO
MERCADORIA
Marina Caminha1
 

Na parte final do livro A vida para o consumo, Bauman escreve:
A busca porprazeres individuais articulada pelas mercadorias
oferecidas hoje em dia, uma busca guiada e a todo tempo
redirecionada e reorientada por campanhas publicitárias sucessivas,
fornece o único substituto aceitável – na verdade, bastante necessitado
e bem-vindo – para a edificante solidariedade dos colegas de trabalho
e para o ardente calor humano de cuidar e ser cuidado pelos mais
próximos e queridos,tanto no lar como na vizinhança (BAUMAN,
2008: 154).

Esse parágrafo pode ser encarado como a chave de leitura do livro, pois aponta
como as relações humanas, a partir do que ele vai chamar de sociedade de
consumidores, constituem-se. De um lado, a mercadoria como centro das práticas
cotidianas. De outro, uma constante orientação para que o modelo de conduta seja
sempre articulado atravésdo ato de consumir.
Para Bauman, o adensamento do consumo como fenômeno que regulamenta as
ações sociais, políticas e cotidianas é o que o torna peculiar nas sociedades
contemporâneas. Se o mercado passa a ser o novo espaço modelador da vida, é através
de suas leis que as relações em disputa pelo poder, identidade e inclusão/exclusão
passam a ser reconfiguradas. Dentre elas, encontra-se adesregulamentação, a produção
incessante de desejos materializados em produtos e, em conseqüência, o desperdício.
O autor vai dizer que o jogo do mercado é fabulado por três regras: a primeira,
prediz que todo produto é vendável e visa ser consumido; a segunda, que esse consumo
                                                            
1

Aluna de Doutorado do Programa de Pós-Graduação emComunicação da Universidade Federal
Fluminense

UFF.
Mestre
em
Comunicação
pela
mesma
instituição.
Email:
marinacaminha@hotmail.com

se vincula a satisfação de desejos; por fim, o valor a ser pago é dependente direto da
confiabilidade da “promessa de satisfação’’ e “intensidade de desejos”. Nesse sentido,
diz ele, “a sociedade dos consumidores se distingue por uma reconstrução dasrelações
humanas a partir das relações entres os consumidores e os objetos de consumo” (Idem:
18 e 19).
Emerge, desse modo, um novo tipo de habitante - na verdade, o único possível -,
capaz de atuar no campo das possibilidades pré-determinadas pelo mercado, e essa se
torna a questão principal do livro: a conformação do sujeito em mercadoria. Na visão do
autor, todas as relações só podem serempreendidas a partir do consumo, não há nada
fora deles:
A “subjetividade” do sujeito, e a maior parte daquilo que essa
subjetividade possibilita ao sujeito atingir, concentra-se num esforço
sem fim para ela própria se tornar, e permanecer, uma mercadoria
vendável (Idem: 20).

Diante de uma sociedade de consumo excessivo, a necessidade de mobilidade e
visibilidade é cada vez maior,deflagrando uma constante reformulação das identidades
como formas de assegurar os princípios de inclusão/exclusão elaborados pelo mercado.
Para Bauman, não existe um não-consumidor, mas sim um consumidor falho.
É nesse sentido que as estratégias de pertencimento empreendidas por esses
sujeitos são cada vez mais ancoradas em uma intensa produção de notoriedade sobre si
como lugar de significação. Oque convém é se tornar vendável, portanto, visível, capaz
de dar sustentação às intrigas que formulam a vida consumista. É por esse palco nervoso
que as disputas se articulam, sendo aí percebidas, valoradas e distinguidas.
O mercado é uma instância central e as relações de inclusão e exclusão são
determinadas pelas suas regras. Analisar o consumo significa, para o autor, o momento
em que...
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