RIO

Páginas: 8 (1788 palavras) Publicado: 4 de maio de 2015
RIO - Dado Villa-Lobos não perde a calma. Sentado em seu estúdio no Horto (o mesmo onde é gravado o programa “Estúdio do Dado”, exibido pelo canal a cabo BIS), dedilhando um piano elétrico, o guitarrista da Legião Urbana responde com a mesma delicadeza e voz baixa a perguntas que vão do interesse de seus filhos por sua antiga banda à morte do baixista Renato Rocha, o Negrete (“Se eu achava queele teria esse fim quando saiu da banda? Achava quando ele entrou, na verdade”), passando pela recente vitória jurídica que obteve, ao lado do baterista Marcelo Bonfá, quanto ao uso do nome Legião Urbana, antes exclusivo do filho do cantor Renato Russo, Giuliano Manfredini.

Dividido atualmente entre a carreira solo, o programa de TV — que recebe artistas que ele admira, como Marcelo Jeneci,Marina Lima e Adriana Calcanhotto — e a Banda Panamericana — que integra com o baixista Dé Palmeira, o baterista Charles Gavin e o cantor Toni Platão e se dedica a versões em português para clássicos do rock latino-americano —, Dado arrumou uma nova sarna para se coçar: o livro “Memórias de um legionário” (Editora Mauad), que escreveu ao longo de dois anos ao lado de Felipe Demier e Romulo Mattos.
—O Felipe é meu parceiro de pelada — começa Dado, contando ao vivo uma história que está na introdução do livro. — Ele é fã da Legião, e um dia sugeriu que eu escrevesse as minhas memórias. Eu neguei. Mas o Felipe, que é historiador, sugeriu um livro a seis mãos, com o Romulo, também historiador, cuidando da organização e da pesquisa, enquanto a mim caberia contar a história. Eu estava lendo“Life”, do Keith Richards, e acabei topando.

Assim, os fãs da Legião — principalmente os mais jovens, que não chegaram a ver a banda na ativa, já que a morte de Renato, de Aids, em 1996, decretou seu fim — agora têm um documento escrito por alguém que viveu a história do grupo brasiliense, transplantado para o Rio, que se tornou o mais popular da história do rock brasileiro. É claro que livros como“Trovador solitário”, de Arthur Dapieve, colunista do GLOBO, e “Renato Russo: o filho da revolução”, de Carlos Marcelo, teses e filmes como “Somos tão jovens” (dirigido por Antônio Carlos da Fontoura e lançado em 2013, que tem o filho de Dado, Nicolau, no papel do pai) já contam, à sua maneira, a história da banda e do cantor, mas é a primeira vez que um legionário toma a iniciativa.
— Espero que oBonfá também escreva o dele, traga mais histórias — diz ele.
Ele explica como o livro foi organizado.
— O meu trabalho foi relembrar — define. — É uma loucura você repassar a sua vida, é um processo meio terapêutico, parece uma regressão, aquelas coisas da psicanálise. E os dois, grandes fãs de Legião, também me perguntavam sobre várias coisas, inclusive algumas a que eu não dava tanta atenção.
Olivro conta a história da vida de Dado — que, surpresa, não viveu por muito tempo em Brasília: filho de pai diplomata, ele nasceu em Bruxelas, e morou em Belgrado, na antiga Iugoslávia, atual Sérvia, Montevidéu e Paris. Além de uma passagem pela capital federal na infância, de 1971 a 1975, ele retornou aos 14 anos, em 1979, e em 1985 já se mudava para o Rio, para fazer o primeiro disco da Legião, nosestúdios da gravadora EMI, em Botafogo. O guitarrista era muito jovem ao longo de todo o processo. Ele tinha 20 anos no primeiro disco da banda e apenas 31 quando o parceiro morreu.
A partir da decolagem da Legião, os detalhes da vida pessoal são mencionados de passagem, e a história se concentra nos estúdios, nas viagens, nos shows, e, claro, na relação com o imprevisível Renato Russo. Apesarde toda a amizade e admiração, Dado não poupa eventuais críticas ao ex-companheiro, conhecido pelo temperamento difícil, explosivo, e pela intensa relação com álcool e drogas.
“Cada um de nós sempre foi muito reservado em relação aos outros membros do grupo”, diz um trecho do livro. “Quando tínhamos um show, éramos ‘um por todos, todos por um’, mas, fora do palco, nunca existiu uma grande...
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