Resumo casa grande e Senzala

Páginas: 18 (4296 palavras) Publicado: 29 de maio de 2014
Capítulo 01 - Freyre descreve com uma infinita riqueza de pormenores alguns aspectos da vida colonial. Sua preocupação básica é com o sexo e a miscigenação, mas ele trata também da vida familiar, da alimentação, da educação, das crenças relacionadas à educação das crianças, e de uma infinidade de outros temas.

A vida ou a formação colonial brasileira é apresentada como “um processo deequilíbrio de antagonismos. Antagonismos de economia e de cultura. A cultura européia e a indígena. A européia e a africana. A africana e a indígena. A economia agrária e a pastoril. A agrária e a mineira. O católico e o herege. O jesuíta e o fazendeiro. O bandeirante e o senhor de engenho. O paulista e o emboaba. O pernambucano e o mascate. O grande proprietário e o pária. O bacharel e o analfabeto. Maspredominante sobre todos os antagonismos, o mais geral e o mais profundo: o senhor e o escravo”. (p.53) Mas não se imagine que dos antagonismos surja a guerra. Pelo contrário, o que temos essencialmente é a “harmonia”. “Entre tantos antagonismos contundentes, amortecendo-lhes o choque ou harmonizando-os, (temos) condições de confraternização e de mobilidade social peculiares ao Brasil: amiscigenação…” (p.54) “Híbrida desde o início, a sociedade brasileira é de todas da América a que se constituiu mais harmoniosamente quanto às relações de raça: dentro de um aproveitamento de valores e experiências dos povos atrasados pelo adiantado; no máximo de contemporização da cultura adventícia com a nativa, da do conquistador com a do conquistado”. (p.91)2 Nada mais agradável de ler ou ouvir do queestas palavras para as elites brasileiras de todos os tipos. Não é apenas o nosso caráter mestiço que se legitima. É todo o “caráter” nacional: flexível, harmonioso senão fraterno. Havia por parte das elites brasileiras um complexo de inferioridade de base racista. Gilberto Freyre resgata a miscigenação, e a transforma, com propriedade e coragem, no fundamento da formação social brasileira. E permiteque as elites brasileiras passem a se orgulhar de seu “pé na cozinha”.

Mas Freyre paga um preço por essa tese. Embora afirme e reafirme que “não nos interessa, porém, senão indiretamente, neste ensaio o aspecto econômico ou político da colonização portuguesa do Brasil” (p.199), o fato é que seu livro tem implicações econômicas e políticas profundas. Para afirmar sua tese da harmonia social eracial, Freyre transforma a colonização portuguesa em um grande êxito, e os
colonizadores portugueses em heróis que “triunfaram onde outros europeus falharam: de formação portuguesa é a primeira sociedade moderna constituída nos trópicos com característicos nacionais e qualidade de permanência… pela hibridização realizaram no Brasil obra de verdadeira colonização, vencendo as adversidades doclima” (12-13). Ora, o triunfo português é muito relativo. No final da colonização portuguesa o Brasil era um país pobre, quando comparado com os países europeus mais avançados e com os Estados Unidos, embora talvez menos pobre do que Portugal. Por outro lado, onde estão os demais imigrantes: os italianos, os alemães, os sírio-libaneses, os japoneses? Onde está o elogio dessa segunda miscigenação?Ausente, porque naquele momento em que Freyre escrevia as elites brasileiras mantinham um forte preconceito contra os imigrantes. Como, aliás, também mantinham em relação aos negros, embora se orgulhassem de, longinquamente, deles também descenderem. Freyre mostra a semelhança da colonização portuguesa com a inglesa do Sul dos Estados Unidos (prefácio). Por outro lado, faz a distinção com a colonizaçãoinglesa nos EUA, que encontrou clima frio semelhante ao inglês, e a colonização portuguesa que irá enfrentar um clima tropical. E, com brilho, ridiculariza o complexo de superioridade nórdico. Os anglo-americanos, definidos por um certo Bogart como um “virile, energetic people” fracassaram nas suas tentativas de colonização dos trópicos enquanto os “weak, easy loving” portugueses tiveram...
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