Mimi

Páginas: 40 (9920 palavras) Publicado: 1 de dezembro de 2013
CONTOS DE FADAS
EINFÂNCIA(S)
Betina Hillesheim e N euza Maria de Fátima Guareschi
RESUMO - Contos de fadas e infância(s). Neste artigo buscamos discutir como os
contos de fadas produzem modos de ver, descrever e compreender a infância, prescrevendo formas de ser criança. A escolha dos contos de fadas pautou-se no fato de que eles
marcam o começo da leitura infantil, sendo que, no decorrerdeste artigo, apontamos
alguns detalhes, acidentes, acasos, assim como regularidades que acompanham essas
obras. Discutimos como os contos de fadas articulam as produções discursivas sobre a
infância - tanto de culpa e irracionalidade quanto de inocência - no sentido de tomá-la
governável, ou seja, agindo no disciplinamento e controle dos corpos infantis, entrelaçando-se, assim, com um projetopedagógico. Ao mesmo tempo, a arte traz consigo possibilidades de ruptura, transgressão e resistência, trazendo a experiência de estranhamento,
de como as coisas ainda não são.
Palavras-chave: contos de fada, infância, produções discursivas.
ABSTRACT - Fairy tales and childhood. This paper discusses the procedure fairytales use to produce ways of seeing, describing and understanding childhood,prescribing
ways ofbeing children. The decision of studying the fairy-tales was made based on the
fact that these are the spotlight for children's literature. In this paper we have highlighted
accidents, coincidences as well as regularities that appear in this literature. We discuss the
ways in which fairy tales articulate the discursive production on childhood (ofblame and
irrationality, aswell as of innocence) as a way of governing it. By doing so, fairy tales
discipline and control children's bodies and become a pedagogical project. We claim,
nonetheless, that art brings the possibility of rupture, transgression and resistance,
allowing for the experience of strangeness, of "things that did not yet become".
Keywords: fairy tales, childhood, discursive production.

Nesteartigo, buscamos discutir os modos de ver, descrever e constituir a
infância a partir de alguns contos de fadas, visto que estes marcam a literatura
infantil desde os seus inícios. Desta maneira, apontamos alguns detalhes,
acidentes, acasos, assim como regularidades que acompanham essas obras, a
partir da discussão dos seguintes contos: Chapeuzinho Vermelho - nas
versões de Perrault (publicada naFrança, em 1697) e dos irmãos Grimm
(publicada na Alemanha, em1812); A fada que tinha idéias (publicado no
Brasil, em 1971) e Chapeuzinho Amarelo (reelaboração do conto Chapeuzinho
Vermelho, publicada no Brasil, em 1979).
Diversos autores têm se debruçado sobre a temática dos contos de fadas,
dentre os quais citamos Bettelheim (1980), Franz (1981), Fromm (1973), Wamer
(1999) e Propp (2002).Destes, os três primeiros são oriundos do campo da
Psicologia; entretanto, há diferenças significativas entre os mesmos, visto que
partem de distintas escolas teóricas: a psicanálise freudiana (Bettelheim), , a
psicologia analítica (Franz)2 e a psicanálise sob um enfoque culturalista (Fromm)3.
Por sua vez, Wamer centra-se na representação da figura feminina nos contos
de fadas, enquantoPropp tem como objetivo estabelecer as leis gerais de composição e da gênese dos contos maravilhosos 4 .
Conforme Barbosa (1991), embora outras formas de criação literária para as
crianças tenham surgido, os contos de fadas se configuraram, por muito tempo,
como paradigma do gênero. Não se trata de uma análise exaustiva e sistemática,
mas de um exercício de reflexão e diálogo, no qual nossosinterlocutores são os
contos de fadas a quem interrogamos sobre a infância. Nossa proposta aqui,
portanto, é de uma conversa, tomando aqui a afirmação de Larrosa (2003), o qual
coloca que a riqueza da conversa é que nunca se sabe onde ela nos levará, pois
a conversa não se faz, mas se entra, podendo-se dizer o que não se pretendia
dizer, ou não se sabia dizer, ou mesmo não podia ser dito. Também...
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