O tratado sobre a moeda e a teoria geral de keynes

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  • Publicado : 29 de novembro de 2012
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O ponto de partida do Tratado sobre a moeda e da Teoria Geral, de Keynes, está na mudança do caminho pelo qual a moeda era percebida. Esta passa a ser um ativo que pode ser mantido como poder aquisitivo na forma pura, para ser gasto em alguma data futura indefinida, sendo assim uma forma de riqueza. Desse modo, a moeda torna-se um elemento fundamental
para a teorização de um sistema econômicoque é inescapavelmente monetário.
A primeira mudança desta abordagem em relação à ortodoxia parte da identificação de uma circulação financeira, que quebra a ligação única da moeda com a circulação de bens, a qual Keynes chamou de circulação industrial. Nessa última, a moeda é meramente usada para facilitar a circulação de bens. A circulação financeira, por sua vez, inclui as operações comativos e estoques de riqueza e não necessariamente se relaciona com a troca de bens. A moeda é tida como uma forma de espera (especulação)sobre os valores dos ativos.

Em contraste com a economia monetária da produção, estaria o que Keynes chamou de economia de troca, uma economia em que a moeda é uma ligação neutra entre transações com ativos reais e não afeta motivos e decisões. Os consumidoresestariam maximizando sua satisfação individual. Para o autor, essa teorização do ambiente econômico não se ajusta à
realidade. Em sua visão, alguns princípios presentes no ambiente econômico levam a moeda a influenciar as decisões econômicas, que são orientadas pela busca de lucros.
No intuito de entender a operação de uma economia monetária da produção, podemos elucidar alguns princípiosfundamentais formulados por Keynes a fim de caracterizar tal economia, que é para o autor permeada pela incerteza, decorrente da descentralização das decisões e do futuro desconhecido.

A elaboração keynesiana parte do chamado “princípio da produção”, segundo o qual se reconhece a individualidade das firmas. A produção é “representada” pelas firmas com uma visão para obter lucros. Pensando em termosmarxistas, o que esse princípio assenta é a idéia de que o objetivo do capitalista consiste em valorizar o capital, fazendo perdurar o ciclo do capital-dinheiro pela transformação contínua de dinheiro em mais dinheiro.
Assim, tanto a perspectiva keynesiana quanto a marxista esboçam a noção de que o objetivo da firma capitalista não é a produção de bens e serviços visando à satisfação denecessidades sociais, mas sim a obtenção de lucro.
Um segundo princípio refere-se à hierarquia dos agentes e é chamado de “princípio da dominância estratégica”. Postula que a distribuição dos recursos produtivos é desigual entre os agentes. Os bancos mantêm a chave para o processo de investimento, uma vez que disponibilizam o acesso ao crédito, dada a natureza dos ativos que eles possuem. Nesse contexto,numa economia tipicamente capitalista, constituída por firmas e trabalhadores, o poder de decisão não é igualmente distribuído. O capitalista tem precedência em virtude da escassez relativa do capital em face do trabalho. A abundância de trabalho é oriunda de mecanismos internos ao sistema capitalista e desequilibra o poder em favor dos representantes do capital. Esse princípio também pode serconsiderado de base marxista. Com efeito, a presença de um exército industrial de reserva é funcional ao sistema, pois permite evitar pressão altista sobre os salários em momentos de acumulação intensa (quando a demanda por força de trabalho aumenta), ao passo que não constrói barreiras à reprodução ampliada do capital. Consumidores são restringidos por sua renda, que, em última instância, dependemdas ações das firmas, visto que estas decidem o volume de emprego e de renda.
O pensamento keynesiano embute também a noção de tempo histórico, que pode constituir um terceiro princípio, o “princípio da
temporalidade da atividade econômica”. A produção toma tempo, o que implica que firmas têm de decidir suas escalas de produção baseadas nas expectativas de demanda. A produção é inevitavelmente...
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