O trabalho do assistente social nas empresas capitalistas

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O trabalho do assistente social nas empresas capitalistas 
                        Angela Santana do Amaral  Professora Adjunta na Universidade Federal de Pernambuco, UFPE    Monica de Jesus Cesar  Professora Adjunta na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ 

O trabalho do assistente social nas empresas capitalistas 
  Introdução    No  Brasil,  desde os  anos  de  1980,  vem  ocorrendo  uma  série  de  mudanças  nas  empresas  capitalistas.  Tais  mudanças  são  determinadas  pela  nova  dinâmica  da  acumulação capitalista e respondem à necessidade de integração a um mercado cada vez  mais  competitivo  e  globalizado.  Ao  longo  de  mais  de  três  décadas,  observamos profundas alterações, seja na organização da produção, nos processos de trabalho, seja  nas  formas  de  intervenção  estatal  que  dão  amparo  a  essas  mudanças.  Potencializadas  pela  adoção  de  novas  tecnologias  associadas  a  um  complexo  conjunto  de  inovações  organizacionais,  elas  imprimem  novos  requisitos  aos  trabalhadores,  modificam  as  condições de inserção no mercado de trabalho e rebatem nos mecanismos de proteção  social.    Na  década  de  1980, o  cenário  empresarial  mostrava  uma  grande  dinamicidade,  influenciado  pela  emergência  de  inovações  reveladas  pela  chamada  reengenharia  e  expressas  na  crescente  informatização  de  processos  de  trabalho,  modernização  das  plantas  industriais,  implantação  de  programas  de  qualidade  total,  programas  participativos,  entre  outras  mudanças.  Desde  então,  e particularmente  ao  longo  da  década  de  1990  e  dos  anos  2000,  o  discurso  empresarial  enfatiza  as  múltiplas  competências, a qualificação dos trabalhadores, a adaptabilidade da força de trabalho às  transformações em curso, a participação e o envolvimento de seus “colaboradores” nos  objetivos empresariais.     Este  período  tem  sido  marcado  pelas  privatizações  e  fusões  de empresas,  por  novas formas de produzir mercadorias, por exigências de produtividade e rentabilidade  que  reduzem  os  postos  de  trabalho  e  implicam  a  adoção  de  padrões  mais  rígidos  de  controle  do  desempenho  do  trabalhador.  As  terceirizações,  a  precarização,  a  flexibilização  do  trabalho  e  consequente  desregulamentação  das  leis  trabalhistas  são características de um movimento mais geral da economia mundial que redirecionam as  1

estratégias  empresariais  no  sentido  de  criar  uma  cultura  do  trabalho  adequada  aos  requerimentos de produtividade, competitividade e maior lucratividade.    De  modo  análogo,  as  corporações  empresariais  passam  a  difundir  a  retórica  da “responsabilidade social corporativa”, articulada à ideia de um “compromisso ético” com  o “desenvolvimento sustentável”, ao tempo em que discursam sobre a “ineficiência” do  Estado  na  solução  dos  “problemas  sociais”  do  país  e  defendem  a  substituição  dos  sistemas de proteção social pelas ações focalizadas na pobreza.    Nesse contexto, parece surgir um conjunto diverso de frentes de trabalho para o assistente social nas empresas, entre as quais destacamos: gestão de recursos humanos;  programas  participativos;  desenvolvimento  de  equipes;  ambiência  organizacional;  qualidade  de  vida  no  trabalho,  voluntariado;  ação  comunitária;  certificação  social;  educação  ambiental  etc.  Podemos  afirmar  que  essas  frentes  de  trabalho  estão  relacionadas  com  os  processos  macrossociais  contemporâneos  que  incidem  na  vida social e inflexionam as práticas sociais, nas quais se inclui a experiência profissional do  assistente social.    Portanto, o objetivo deste texto é buscar compreender de que forma o exercício  profissional nas empresas é afetado pelas mudanças no “mundo do trabalho”, tendo em  vista  o  movimento  de  transformação  das  forças  produtivas  e  dos  mecanismos  de  reprodução social.   ...
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