O saber psicologico

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Subjetividade, trabalho e ação
INVITED PAPER

Subjetividade, trabalho e ação

CHRISTOPHE DEJOURS, DIRETOR Laboratoire de Psychologie du Travail et de l’Action Conservatoire National des Arts et Métiers
41, rue Gay-Lussac
75005 Paris França
E-mail: dejours@cnam.fr

Resumo
Este artigo traz algumas questões para o debate sobre as relações entre trabalho esubjetividade. Nessa perspectiva o trabalho é aquilo que implica, do ponto de vista humano, o fato de trabalhar: gestos, saber-fazer, um engajamento do corpo, a mobilização da inteligência, a capacidade de refletir, de interpretar e de reagir às situações; é o poder de sentir, de pensar e de inventar. O real do trabalho sempre se manifesta afetivamente para o sujeito, aí se estabelece umarelação primordial de sofrimento, experimentada pelo sujeito, corporificada. Trabalhar é preencher a lacuna entre o prescrito e o real. Por isto é que uma parte importante do trabalho efetivo permanece na sombra, não podendo, então, ser avaliado. Outra questão abordada é sobre os acordos firmados entre os trabalhadores no seio do coletivo, de uma equipe ou de um ofício, que têmsempre uma vetorização dupla: de uma parte, um objetivo de eficácia e de qualidade do trabalho; de outra parte, um objetivo social. É proposta também uma discussão entre a teoria psicodinâmica do trabalhar, onde a centralidade do trabalho é um dos seus alicerces e a teoria psicanalítica onde esta questão não é abordada diretamente.

Palavras-chave
Subjetividade e trabalho,sofrimento, prescrito e real, centralidade do trabalho

Subjectivity, work and action

Abstract
This paper produces some issues for debate on the relationships between work and subjectivity. Under this perspective, work implies, from a human point of view, the fact of working: gestures, know-how, a commitment of the body, the mobilization of intelligence, the ability toreflect, to interpret and to react to situations; it is the power of feeling, of thinking and of inventing. Actual work is always affectively manifested to the subject, whereby a primordial distress relationship is established, experienced by the subject, embodied. To work is to fill the gap between the prescribed and the real. This is why an important part of the effective work remainsin the shade, and cannot, therefore, be assessed. Another question concerns the agreements built by workers within the collective of a team or of a job, which always present a double vectorization: from the one hand, a work efficacy and quality goal; on the other hand, a social goal. A discussion of the psychodynamics of work theory is also proposed, where the work centrality is oneof their pillars as well as the psychoanalytical theory, where this issue is not directly approached.

Key words
Subjectivity and work, suffering, prescribed and real, work centrality.

Revista Produção, v. 14, n. 3, p. 027-034, Set./Dez. 2004 27


Christophe Dejours

INTRODUÇÃO

Gostaria, neste texto, de tentar expor a contribuição que a psicodinâmica dotrabalho pode dar à análise das relações entre trabalho e subjetividade. As implicações desta aná- lise são de duas ordens: de uma parte, compreender as conseqüências humanas da virada neoliberal; de outra, enri- quecer a concepção da ação no campo político. Sustentarei a idéia de que o caminho que permite associar a subjetivida- de à teoria da ação passa por uma análise precisa das relações entre otrabalho e a vida.
Para começar, a psicodinâmica do trabalho é uma disci- plina clínica que se apóia na descrição e no conhecimento das relações entre trabalho e saúde mental; a seguir, é uma disciplina teórica que se esforça para inscrever os resulta- dos da investigação clínica da relação com o trabalho numa teoria do sujeito que engloba, ao mesmo tempo, a psicaná- lise e a teoria social.

O...
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