O lugar do homem na natureza

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  • Publicado : 14 de agosto de 2012
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O lugar do homem na Natureza
 Introdução
 
Os graves problemas da exaustão dos recursos naturais e do saque dos ecossistemas ainda não estão satisfatoriamente investigados em razão das diferenças de formas de expressão comunicativa entre a natureza e o homem ou, ainda, por interesses econômicos imediatos particulares. Felizmente uma nova área de pesquisa está se abrindo para o historiador nocampo das temáticas ambientais, ou seja, um estudo e uma análise da forma como os homens instituem suas relações sociais e seu modo de produção. Este último está diretamente ligado a um conceito holístico de investigação extremamente dinâmico das interações homem/natureza. Em termos de interferência no meio ambiente, sabe-se que em um dado momento da história do homem sobre a Terra ele podia serconsiderado um elemento natural da mesma maneira que qualquer espécie animal. Evidentemente, o homem primitivo não dispunha de uma quantidade de energia mecânica suficientemente grande para que seu impacto sobre a natureza pudesse ultrapassar certos limites circunscritos. Já em 1975, Dubos salientava que existe apenas uma diferença de grau entre o cultivador neolítico desflorestando para obter umaclareira e o homem do ano 2000 que, por meio de explosões atômicas, deslocará montanhas e modificará o curso dos rios, obrigando-os a irrigar desertos. E, realmente, é preciso reconhecer que essa diferença é fundamental, pois refere-se principalmente à rapidez das transformações, fator de maior importância quando analisamos o poder de assimilação dos impactos e a autorrecuperação da natureza. Como aumento das densidades das populações humanas e sua organização em comunidades sociais cada vez mais aperfeiçoadas, estas rapidamente dispuseram de um poder crescente à medida que os seus recursos técnicos se desenvolviam. Tais fatos refletiam em uma maior pressão ao meio ambiente, onde a exploração dos recursos naturais e os diferentes tipos de rejeitos oriundos das diversas atividadestransformaram completamente as paisagens originais num processo de contínua degradação. No fundo, a história da humanidade pode ser encarada como a luta da nossa espécie contra o meio em que se insere e sua emancipação progressiva relativa à natureza e a algumas de suas leis. O domínio progressivo do homem sobre todos os elementos constitutivos do meio ambiente: o solo, os corpos aquáticos, as plantas eos animais, é um fato incontestável.
 
1. Arelação do homem com a natureza através dos tempos
 
A relação da sociedade com a natureza não se manifesta de maneira igual no espaço e no tempo. Em uma atitude simplista e objetiva é possível destacar três momentos da relação da espécie humana com a natureza: o homem amoldando-se a ela, o que podemos chamar de adaptação; o homem confrontando-se coma natureza, o que leva a uma posição de ataque à mesma (contra a natureza), e o homem restituindo os ambientes por ele degradados e preservando os que ainda restam (a favor da natureza). Sabe-se que no início de sua aparição sobre a terra, uma fase de estreita subordinação, o homem "sofreu" os imperativos de seu habitat natural. Nessa época, o homem procurou adaptar-se às condições oferecidaspelo meio, submetendo- se aos seus imperativos e modificando seu modo de vida em função dos climas e dos habitats onde se instalara. Mas esse período de adaptação foi relativamente curto, e rapidamente o homem contra atacou, exercendo uma série de ações às comunidades naturais a que pertence, passando a depredador e competidor.
 
Essa adaptação das culturas humanas aos seus ambientes é originadapelas mudanças culturais. De acordo com Viertler (1988:20) "o processo de adaptação das culturas humanas do século XX aos seus respectivos ambientes não significa que a convivência e a sobrevivência sejam ‘melhores’ ou mais ‘vantajosas’ para os indivíduos”. Segundo a autora, adaptar-se significou, em muitos casos, sobreviver por meio de numerosas concessões, por vezes com altos custos físicos e...
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