O lugar do doente mental na sociedade contemporânea a partir de uma visão teórica e prática sobre loucura e a reforma psiquiátrica no campo da saúde mental.

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  • Publicado : 17 de setembro de 2012
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O lugar do doente mental na sociedade contemporânea a partir de uma visão teórica e prática sobre loucura e a reforma psiquiátrica no campo da saúde mental.

Ana Carolina Teles dos Santos
Ana Célia de Oliveira Cardoso
Sara Cunha Bastos

Resumo: O presente artigo visa incitar uma discussão acerca do louco e da loucura, analisando a forma que ele era visto em determinados momentos históricose entendendo os deslocamentos desse ‘outro de nós’. Através de um levantamento bibliográfico contemplando os estudiosos Foucault, Roberto Machado, Charles Feitosa, entre outros; e contando com entrevistas semi-estruturadas feitas com profissionais da saúde mental das instituições Hospital Saúde Mental de Messejana (HSMM) pudemos isolar os assuntos que pretendemos discutir em tal artigo, a saber: olouco, reforma psiquiátrica, exclusão e inclusão. A Reforma Psiquiátrica se tornou no Brasil um movimento que tem como objetivo a inclusão do portador de transtornos mentais, porém, a prática nos mostra que tal inclusão não está funcionando. Concluímos que não basta acabar com os muros físicos dos manicômios, mas sim derrubar os muros ‘invisíveis’ que separam o louco de nós. Também, é necessárioque exista um movimento de aceitação das diferenças e uma forma de intervenção em tais sujeitos que exaltem tais diferenças, possibilitando cada um ser da maneira que lhe é possível, sem a necessidade de levar ninguém a determinada ‘norma’ imposta por um saber. Concluímos que É preciso liberar o pensamento dessa racionalidade carcerária, é preciso demonstrar essa racionalidade, é preciso deixarnosso pensamento ser invadido pela desrazão.

Palavras-chave: loucura;deslocamentos;louco;manicômios;inclusão.




INTRODUÇÃO


A forma de obter conhecimento sobre o normal e patológico, onde sua característica fundamental é baseada na maneira como os indivíduos vivem no mundo e os modos como se relacionam entre si. São as práticas psicopatológicas e a cultura que sãoinvestigadas para a construção do saber e determinando assim o que é normal e o foge do senso de normalidade. É a partir dessa percepção, do julgamento de valores do que é certo ou errado que se configura o indivíduo considerado louco na sociedade. O saber médico se apropriou da loucura pelo conceito de alienação, pois antes esse conceito estava ligado ao sobrenatural composto de uma natureza estranha arazão. O fato de a medicina apossar-se desses estudos não foi por descoberta científica mais sim por necessidades sociais, pois o sujeito “alienado” sofria com distúrbios das paixões humanas incapacitando-o de partilhar saudavelmente em sociedade. No espaço de muito tempo sempre se excluíram sujeitos considerados diferentes e fora das normas, ou seja, como ao longo da história o homem nassociedades em diferentes épocas determinou o ponto da ordem e o lugar da transgressão. Dessa forma aquele que se constitui como “diferente” perde sua normalidade e é tido como portador de problemas mentais, permitindo assim que a sociedade utilize-se dessa forma de pensar do louco como instrumento para autorizar que esse sujeito seja tratado com preconceito e exclusão.

Através de entrevistassemi-estruturadas com profissionais que trabalham com a saúde mental (psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais) em instituições como Hospital Saúde Mental de Messejana (HSMM), pudemos coletar informações importantes para serem discutidas nesse artigo.

Temos como objetivo, também, pensar acerca dos ideais da despsiquiatrização e da antipsiquiatria, entendendo assim as raízes do movimentonacional da Reforma Psiquiátrica.

Desejamos, através desse artigo, dar brevemente ênfase o lugar que o doente mental ocupou na da história da humanidade e localizar que lugar ele ocupa hoje. Abordar como proposta de reflexão a genealogia da subjetividade pode contribuir para práticas atuais no campo da saúde mental.



DESENVOLVIMENTO


A história da loucura é em parte...
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