Resumo

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  • Publicado : 30 de março de 2013
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Liga de ensino do rio grande do norte
Centro universitário do Rio Grande do Norte
Curso: psicologia
Prof ª: Fernanda Fernandes Gurgel

O caminho da loucura e a transformação da assistência aos portadores de sofrimento mental
(Helena de Fátima Bernardes Millani; Maria Luisa L. de Castro Valente).

 Os novos conceitos e práticas da psiquiatria propiciamquestionamentos importantes que perpassam o contexto da saúde mental coletiva e leva à reflexão sobre a loucura. Assim, propôs-se, aqui, considerar o desenvolvimento histórico que contemple esse caminho para favorecer o entendimento de indagações dos autores.
Os estudos sobre loucura, processo saúde/transtorno mental, reforma psiquiátrica, subjetividade e comportamento humano compõem amplo campo deconhecimentos que proporcionam a construção de novas formas sociais e técnicas no lidar com a loucura e com o sofrimento mental.
Assim, a proposta deste estudo é uma abordagem sobre a história da loucura, sobretudo seu desenvolvimento e sua repercussão ao longo do tempo. Dessa forma, seguindo ordem cronológica, demonstrar-se-á a visão da loucura na sociedade, da Antiguidade até os dias atuais,considerando todo o processo de internamento que esteve ligado à exclusão e ao preconceito para com os indivíduos considerados loucos.
Hoje, a atenção à saúde mental é tão importante quanto à saúde física, pois se vê o homem em sua totalidade, biopsicossocial. O atendimento ao portador de sofrimento mental passou por vários processos de transformação, da institucionalização para a implantação de serviços deatenção psicosocial, realizando a mudança do paradigma doença-cura pela existência-sofrimento.
Evolução histórica da loucura
A loucura como fenômeno é relatada, inicialmente, na Antiguidade grega e romana, junto a outras tantas doenças classificadas como práticas mitológicas, manifestações sobrenaturais motivadas por deuses e demônios. Nessa época, a loucura era identificada pela influência daideologia religiosa e pela força dos preconceitos sagrados.
Nos tempos da Inquisição, a loucura foi entendida como manifestação do sobrenatural, demoníaco e até satânico, e classificada como expressão de bruxaria, cujo tratamento caracterizou-se pela perseguição aos seus portadores, tal como se praticava com os hereges. Em virtude do forte poder da Igreja, o movimento de caça às bruxas, lideradopela Inquisição, objetivava manter a aceitação e a concordância da crença religiosa. Assim, os chamados hereges e os divergentes da ideologia cristã dominante eram considerados loucos, bruxos e feiticeiros, servidores do mal e de forças malignas.
A Inquisição servia de garantia para a salvação e a religião era o bálsamo que fornecia um sistema de justificativas para suas miseráveis vidas. Aideologia religiosa respondia às necessidades do povo oprimido por longas epidemias, pela fome, pela miséria. Através da religião recebia uma mensagem coerente do mundo, esse mundo cheio de pecados e heresias.
Dessa forma, a loucura, nessa época, identificava-se com os perfis e com os papéis dos feiticeiros portadores de supostas doenças mentais, repercutida pela relação de poder da igreja e daburguesia. Entretanto, com o desenvolvimento histórico, o poder eclesiástico foi abalado, o que permitiu um novo olhar sobre a doença e ao portador de transtorno mental.
No século XVII, com o declínio do poder da igreja e da interpretação religiosa do mundo, o complexo inquisidor-feiticeira desapareceu e, em seu lugar, surgiu o complexo alienista-insano mental.
A partir da Idade Média até o final dasCruzadas, os leprosários se multiplicaram por toda a Europa, pois havia grandes focos dessa epidemia infecciosa no Oriente que se proliferou rapidamente por todas as cidades da Europa e somente com o fim das Cruzadas houve a ruptura desse contágio. Há também que considerar a intervenção, por parte da monarquia, sobre os regulamentos dos leprosários, provocando o recenseamento e o inventário dos...
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