O ihgb e o ensino de história

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O IHGB E O ENSINO DE HISTÓRIA

IHGB:

Os primeiros compêndios escolares escritos no Brasil ficaram a cargo dos intelectuais do império. Com a criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1838, do Imperial Colégio Pedro II, em 1837, que fora estruturado para ser o estabelecimento padrão do ensino secundário no império, e da Escola Militar, no Rio de Janeiro, esses manuaiscomeçaram a ser produzidos pelos membros dessas instituições.
A criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), com a função de “construir uma história da nação, recriar um passado, solidificar mitos de fundação, ordenar fatos buscando homogeneidades em personagens e eventos até então dispersos” (SCHWARCZ, 1993, p. 99), representa o modelo de instituições voltadas para a preservação dessahistória pátria, identificada com referências luso-brasileiras: grandes personalidades, datas memoráveis, grandes fatos políticos, enfim, questões de um passado que servisse de referência para as gerações futuras.

Muitos intelectuais utilizavam a literatura didática para propagar suas idéias e tornar público seus trabalhos. Dentre os autores de livros de História do Brasil, podemos citar:Henrique Luiz de Niemeyer Bellegarde (1802-1839), natural de Portugal, fora criado no Brasil, fez seus estudos na Academia Militar do Rio de Janeiro e era sócio do IHGB, onde teve seu livro Resumo de História do Brasil aprovado, em 1834, para a instrução pública. Essa obra originou-se de um compêndio francês, Resumé de l’histoire du Brésil, de autoria de Ferdinand Denis.

Vários autores, a exemplo deBasílio de Magalhães, Viriato Corrêa, Rocha Pombo, Affonso Celso, Joaquim Manoel de Macedo, entre outros, escreveram livros didáticos no final do século XIX e início do XX. Esses manuais foram muito utilizados pelos estabelecimentos de ensino e formaram muitas gerações, pois foram reeditados e reutilizados sucessivas vezes. Esses livros tinham o intuito de ensinar a HistóriaPátria e desenvolvernos alunos sentimentos de nacionalidade, portanto a língua nacional deveria ser difundida, os conhecimentos geográficos propagados, não bastando, apenas “ler, escrever e contar”, como acontecia nas escolas da colônia.

Como uma das reclamações constantes, por parte dos legisladores, era a falta de compêndios genuinamente nacionais, o IHGB, enquanto instituição detentora de conhecimentos naépoca, entrou na discussão. Alguns concursos e premiações foram instituídos para incentivar a feitura desses livros, pois o número de escolas estava aumentando e havia a necessidade de uma maior quantidade desses manuais. Justiniano José da Rocha, por exemplo, sócio do IHGB, jornalista, político e professor de História Pátria, solicitou ao Instituto uma comissão encarregada de planejar um compêndio deHistória do Brasil. Desse modo, podemos perceber que havia interferência dessa agremiação também nos assuntos educacionais e o discurso instituinte era centrado na exaltação das qualidades nacionais, configurando uma ideologia que enaltecia o Estado nacional como forma ideal de organização, com a elevação de seus valores e de sua cultura. Logo, a visão de história que prevalecia no IHGB, erapautada no nacionalismo.

Com a criação do Colégio Pedro II (1837), o ensino de História começou a ser inserido nos currículos, porém, não existia uma política nacional para o livro didático (CAIMI, 1999). A disciplina História Pátria ou História do Brasil não era autônoma e ocupava uma posição secundária, sendo transmitida pelas datas e fatos considerados relevantes. Durante todo o século XIX, oEstado esteve presente em todas as discussões sobre a produção, controle e distribuição dos livros didáticos. Da mesma forma, no início do século XX, percebemos a sua intervenção nas reformas educacionais que se estruturavam a partir das novas necessidades do país. A partir de 1930 é que começou a crescer o número de livros didáticos feitos no Brasil. Para Caimi (1999, p. 34-5), “[...] fato que...
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