Ihgb

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  • Publicado : 22 de maio de 2011
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O pensar a história é uma das marcas características do século XIX, ao longo do qual são formulados os parâmetros para um moderno tratamento do tema. Neste processo, o historiador perde o caráter de hommes de lettres e adquire o estatuto de pesquisador. Onde desde o início do século este desenvolvimento é observável, percebe – se claramente que o pensar a história articula – se num quadro maisamplo, no qual a discussão da questão nacional ocupa uma posição de destaque.
O caso brasileiro não escapará, neste sentido, ao modelo europeu. Ainda que deste lado do Atlântico outro será o espaço da produção historiográfica. O lugar privilegiado da produção historiográfica no Brasil permanecerá até um período bastante avançado do século XIX vincado por uma profunda marca elitista, herdeira muitopróxima de uma tradição iluminista.
Assim, é no bojo do processo de consolidação do Estado Nacional que se viabiliza um projeto de pensar a história brasileira de forma sistematizada. A criação, em 1838, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) vem apontar em direção à materialização deste empreendimento, a proposta ideológica em curso. Uma vez implantado o Estado Nacional, impunha– se como tarefa o delineamento de um perfil para a “Nação brasileira”, capaz de lhe garantir uma identidade própria no conjunto mais amplo das “Nações”, de acordo com os novos princípios organizadores da vida social do século XIX.
A fisionomia esboçada para a Nação brasileira e que a historiografia do IHGB cuidará de reforçar visa a produzir uma homogeneização da visão de Brasil no interiordas elites brasileiras.
Ponto que nos parece central para a discussão da questão nacional no Brasil e do papel que a escrita da história desempenha neste processo: trata – se de precisar com clareza como esta historiografia definirá a Nação brasileira. No movimento de definir – se o Brasil, define – se também o “outro” em relação a esse Brasil. A construção da idéia de Nação não se assenta sobreuma oposição à antiga metrópole portuguesa.
É Francisco Adolfo Varnhagen que, em carta ao imperador dom Pedro II, explicitaria os fundamentos definidores da identidade nacional brasileira enquanto herança da colonização.
Ao definir a Nação brasileira enquanto representante da idéia de civilização no Novo Mundo, esta mesma historiografia estará definido aqueles que internamente ficarão excluídosdeste projeto por não serem portadores da noção de civilização: índios e negros.
Na medida em que Estado, Monarquia e Nação configuram uma totalidade para a discussão do problema nacional brasileiro, externamente defini – se o “outro” desta Nação a partir do critério político das diferenças quanto às formas de organização do Estado.
É sobre o pano de fundo mais amplo desta discussão que oIHGB encaminhará suas reflexões acerca do Brasil.
Ao reconstruirmos os passos que levaram à fundação do IHGB em 1838, interessa – nos recolocá – lo na tessitura social que permite entender a criação de uma instituição cultural nos moldes de uma academia, como aquelas próprias do iluminismo.
O instituto propõe – se a levar a cabo um projeto dos novos tempos, cuja marca é a soberania do princípionacional enquanto critério fundamental definidor de uma identidade social.
A leitura da história empreendida pelo IHGB está, assim, marcada por um duplo projeto: dar conta de uma gênese da Nação brasileira, inserindo – a, contudo numa tradição de civilização e progresso, idéias tão caras ao iluminismo.
A idéia de criação de um instituto histórico é veiculada no interior da Sociedade Auxiliadorada Indústria Nacional (SAIN), criada em 1827 com a marca do espírito iluminista presente em instituições semelhantes que brotaram no continente europeu durante os séculos XVII e XVIII, e que se propunha a incentivar o progresso e desenvolvimento brasileiros.
Em 25 de novembro do mesmo ano, Januário da Cunha Barbosa, na qualidade de primeiro – secretário do IHGB, apresenta em discurso de...
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