O idoso, a crise familiar e as instituições de longa permanência – uma análise sócio-crítica.

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  • Publicado : 5 de julho de 2012
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O IDOSO, A CRISE FAMILIAR E AS INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA – UMA ANÁLISE SÓCIO-CRÍTICA.

RESUMO
O presente trabalho discute alguns aspectos da atual configuração familiar que influenciam diretamente o modo como a população se relaciona e trata seus idosos, uma vez que sentimentos de egoísmo e individualidade acabam,por vezes,tornando filhos e netos incapazes de cuidar de seus pais ouavós, culminando na internação desses anciãos,em asilos.Como muitas dessas instituições,não apresentam adequação para suportar,tratar e manter esses idosos com qualidade de vida,o presente artigo volta os olhos para a legislação vigente e para o verdadeiro papel e necessidade da família ativa no processo de envelhecimento,para que este ocorra de maneira não frustrante e condizente com a tamanhaimportância da história de vida desses que,no passado,sustentaram em seus braços a história socioeconômica de nosso país.
PALAVRAS-CHAVE: Idosos; Família; Asilos; Assistência Social

INTRODUÇÃO
O idoso institucionalizado constitui, quase sempre, um grupo privado de seus projetos, pois encontra-se afastado da família, da casa,dos amigos,das relações nas quais sua história de vida foiconstruída.Pode-se associar a essa exclusão social as marcas e sequelas das doenças crônicas não transmissíveis,que são os motivos principais de sua internação inclusive nas Instituições de Longa Permanência(FREIRE JÚNIOR E TAVARES, 2005).A sensibilidade em relação ao afastamento dos idosos da vida social evaporou rapidamente em vários contextos familiares,dando lugar à racionalização dos motivos.Existemexpectativas e sentimentos que não podem ser compartilhados quando se chega à velhice,o principal deles é a solidão(SOUZA, 2003).
Os idosos sentem-se excluídos da sociedade mais ampla,mostrando que a admissão em um asilo, normalmente significa não só a ruptura definitiva dos velhos laços afetivos,mas também a necessidade de se submeter a uma vida comunitária com pessoas as quais ele nunca antes tevequalquer ligação afetiva.Significa em princípio,um estado de extrema solidão;“muitos asilos são, portanto,desertos de solidão” (ELIAS, 2001).
Na condição de interno,o idoso quase sempre se encontra submetido a um conjunto de regras que serão postas em vigor por meio de estratégias que envolvem premiações para quem as acate e punição para quem as transgrida.Além das regras formais,outras,de caráterinformal,levadas a efeito pela mani- pulação de privilégios e punições,persuadem o interno a tornar-se dócil e a adaptar-se (SOUZA, 2003).
Entretanto,apesar de seu papel desconstrutor,o asilo faz emergir a possibilidade de reconstrução de um novo mundo social para o idoso,limitado,restrito em relação à sociedade mais ampla,mas ainda assim suficiente para que ele incorpore alguns papéis e resgate,pelomenos parcialmente,sua condição de ser humano(SOUZA, 2003).Contudo,essa nova gama de relações socioculturais estabelecidas jamais poderá suprir de maneira completa os laços familiares construídos ao longo de décadas,cuidado e convívio familiar.Sendo assim,decidimos averiguar,através de resgate bibliográfico,itens da proble-mática referente à internação de idosos em Instituições de LongaPermanência,bem como,a partir dos dados obtidos,sugerir cuidados e atividades que possam auxiliar a manutenção da integração dos idosos internos ao meio social e cultural.
A presente pesquisa bibliográfica utilizou-se o método da análise diversificada, presente em Oliveira et al.,(2006),considerando autores e obras multidisciplinares na qual as articulações entre diversos saberes garantiriam maioraprofundamento do assunto(LAKATOS & MARCONI, 1993; FREIRE JÚNIOR & TAVARES, 2005).



1.A FAMÍLIA ATUAL E SEUS TRAÇOS DE INDIVIDUALIDADE E EGOÍSMO
Graças a um acentuado processo de transformação e modernização na sociedade, a instituição familiar apresenta significativas alterações em sua estrutura e nas relações sociais estabelecidas entre seus autores (ALVES ET AL., 2010). Atualmente há uma...
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