O “graciliano” de joão cabral de melo e o narrador de “são bernardo”

793 palavras 4 páginas
O “GRACILIANO” DE JOÃO CABRAL DE MELO
E O NARRADOR DE “SÃO BERNARDO”

O poema Graciliano Ramos: de João Cabral de Melo Neto cria uma intertextualidade com a própria literatura de Graciliano. Tomando emprestada a voz do romancista, evidencia sua tônica na crítica social e no realismo que mostra a dura realidade do homem nordestino e delineia traços que marcam as suas obras.
Em S. Bernardo, narrado por Paulo Honório, a preferência é por frases curtas ou mesmo elípticas; as orações simples e os períodos coordenados; o vocabulário reduzido e algumas gírias. Como escreve João Cabral de Melo Neto logo no início do poema: “Falo somente com o que falo: / com as mesmas vinte palavras (...)”, Graciliano possui um estilo conciso, não há rodeios ou grandes momentos de descrição.
Graciliano procura ser o mais objetivo possível e, por ser assim, a narração torna-se semelhante à personalidade do narrador-protagonista Paulo Honório. Esta forma precisa, reduzida ao essencial, de escrever está metaforizada na faca limpa que não perde o corte, ainda na primeira estrofe: "...limpa (...) / de toda uma crosta viscosa / (...) que fica na lâmina e cega". Com isso, a linguagem de Graciliano Ramos não apresenta elementos desnecessários ("crosta viscosa", "resto de janta") que prejudicariam sua eficiência.
No 1º e 2º capítulos, o narrador não se ocupa propriamente da história, mas de sua composição, relatando os antecedentes do livro que só tem “início” no 3º capítulo, evidenciando ainda mais o estilo preciso e objetivo que João Cabral destaca em seu poema.
Desse modo, tem-se nessas páginas iniciais, um texto metalinguístico, em que Paulo Honório explica que seu livro seria feito, tal como numa linha de produção, por quatro pessoas. O narrador-personagem, então, conta ao leitor, que fará o romance do jeito que lhe vier a ideia, caberá a quem lê-lo considerar uma obra literária ou não, numa ideia de “Falo somente para quem falo:”, na última parte do poema.
O início do segundo

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